A vice-presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse este sábado que o partido está a fazer o seu «trabalho de casa» para 2015, quando se realizam eleições legislativas, descartando abordar eventuais coligações.

«Este não é o momento para essa discussão [coligação]. O momento é de trabalhar as nossas ideias, o nosso programa, aquilo que são as nossas prioridades» e é «imprescindível fazer este trabalho de casa», disse.

Para o CDS-PP, o que «interessa” agora é “identificar os temas de futuro, fazer o trabalho de casa, constituir propostas muito sólidas que, depois, farão parte do nosso programa eleitoral”, acrescentou.

Assunção Cristas falava aos jornalistas à margem do Conselho Nacional do CDS-PP, que está a decorrer em Elvas no auditório São Mateus, no Museu da Fotografia.

Questionada sobre o tema de uma eventual coligação às eleições legislativas do próximo ano, a vice-presidente do partido disse que, «a seu tempo, se falará disso».

«Este é o momento de fazer o trabalho de casa e é um momento estruturante e imprescindível. Nós só podemos discutir outras matérias se soubermos exatamente o que é que deveremos propor às pessoas como ideias fortes, sólidas e de futuro. É esse trabalho de casa que estamos a fazer», afirmou.

O país «precisa que nós façamos este trabalho de casa e depois, naturalmente, ele será a base do nosso programa eleitoral ou será o contributo para o programa eleitoral conjunto, quando a questão vier a ser definida e decidida, a seu tempo», sublinhou.

Assunção Cristas aproveitou o encontro com os jornalistas para abordar ainda a criação de um gabinete de estudos, para definir as políticas do partido entre 2015 e 2020.

O gabinete de estudos do partido é, neste momento, «uma realidade», sendo constituído por seis áreas temáticas, salientou.

A primeira é subordinada ao tema da «Constituição», envolvendo o sistema eleitoral e sistema político, a segunda aborda a temática da “Soberania” e, em terceiro lugar, as questões ligadas ao “Território”, em toda a sua abrangência de terra e de mar.

A quarta área é dedicada às «Políticas Económicas, de Emprego e Orçamentais», ao passo que a quinta área é constituída pelas «Políticas Sociais», envolvendo as áreas da saúde, educação, segurança social e família.

A sexta e última área do gabinete de estudos do CDS-PP centra-se no tema «Portugal no mundo».

«Destas áreas temáticas vão sair, depois, grupos de trabalho temporários que poderão durar dois, três, quatro meses para tratarem em específico dos temas que vão ser prioritários para a construção do programa eleitoral do CDS-PP», disse Assunção Cristas.

CDS-PP sem «problema» em propor «contrato de confiança»

O vice-presidente do CDS-PP João Almeida afirmou este sábado que o partido não tem «qualquer problema» em propor um «contrato de confiança» aos portugueses, sobretudo em comparação com o PS, apesar de sair «desgastado» destes «anos muito difíceis».

«Não temos qualquer problema com esse contrato de confiança, muito menos” quando “comparado com aquilo que foi o compromisso eleitoral de outros partidos no passado», afirmou.

E, ainda mais, sublinhou, «quando esses partidos, no caso específico o PS, se apresenta agora com menos ideias do que na altura e com menos protagonistas, não se podendo daí esperar que do ponto de vista da confiança venha algo de novo» dos socialistas.

O CDS-PP, admitiu João Almeida aos jornalistas à margem do Conselho Nacional do partido, em Elvas, «sai, essencialmente, desgastado naquilo que teve a ver com a gestão do país em anos muito difíceis, embora não tenha tido responsabilidade na criação das condições para esses anos difíceis».

O que «não impede» que o CDS-PP comece a fazer um balanço da governação, «com todo o orgulho e de cabeça levantada».

Para João Almeida, esse mesmo balanço «permitirá, provavelmente, a muitos portugueses» uma reflexão diferente sobre «matérias que foram passando ao longo dos últimos três anos».

«E, agora, com o afastamento natural em relação às condições em que vivemos», poderá ser possível «fazer um balanço diferente, principalmente por comparação com aquilo que foi a governação» socialista de José Sócrates e «com ausência de propostas e alternativas para futuro por parte do PS», disse.

Questionado pelos jornalistas sobre se o contrato de confiança que o partido quer preparar é uma «espécie de desafio» ao Conselho Nacional do PSD, agendado para segunda-feira, João Almeida foi taxativo: «De maneira nenhuma».

«O CDS mais preparado e mais forte, numa lógica de articulação com o nosso parceiro de coligação, será sempre um CDS que contribuirá de forma mais positiva para o trabalho que esta coligação fará até ao final da legislatura e para uma eventual discussão futura sobre uma possível coligação», afirmou.

Na reunião do Conselho Nacional do CDS-PP, a decorrer desde a manhã de hoje, foi apresentado um plano de comunicação, coordenado pelo próprio João Almeida, que vai permitir ao CDS-PP «ter muito maior visibilidade do que acontece hoje» e «espaço para que afirme as suas ideias».

Questionado sobre se esta nova estratégia significa que a comunicação do partido tem falhado, João Almeida negou, sublinhando que, «quando se tem qualidade, a ideia é alargar do pinto de vista das plataformas e inovar».