Tanto PSD como CDS-PP votam contra o Orçamento do Estado na generalidade, mas vão seguir caminhos diferentes no que toca à discussão do documento na especialidade. Se Passos Coelho anunciou ainda antes do primeiro debate que não vai apresentar qualquer proposta de alteração, Assunção Cristas demarca-se da decisão do líder do antigo parceiro de coligação. Uma postura a ter em linha de conta sendo a deputada do CDS, ao que tudo indica, a futura líder centrista que irá suceder a Paulo Portas. 

Cristas recordou que o primeiro-ministro António Costa desafiou ontem os partidos da direita a mostrar alternativa. Da parte do CDS, ela não faltará:

"Di-la-ei com gosto mesmo sem esse desafio. O CDS é claro nessa postura: criticar com acutilância quando é o caso, denunciar com rigor, mas mostrar sempre alternativa".

Cristas justificou que o seu partido é, sempre, "pela prudência, pela moderação, pelo gradualismo e pela proteção do sacrifício dos portugueses". Por isso, apresentará propostas nesse sentido, advogou.

O atual líder do CDS-PP, Paulo Portas,não interveio no debate.

"Austeridade à la esquerda, um Orçamento que parece um recreio"

Para o CDS-PP, o Orçamento do Estado é tão-só austeridade. "Austeridade à la esquerda, mas austeridade". Deu com isso o exemplo do aumento do imposto sobre os combustíveis e mesmo do IRS. "Também não é verdade que o IRS fique a salvo.Um casal com dois filhos e rendimento bruto de 1.000 euros mensais pagará mais 143 euros por ano do que pagaria com quociente familiar e redução da sobretaxa tal como estava previsto pela coligação", atirou.

A deputada considera que este Governo é equívoco quanto a quem apoia e quem defende o Orçamento que "faz lembrar as crianças no recreio".

"Quando há um disparate, nunca ninguém teve a culpa, nunca ninguém é responsável. O PS a dizer que o que gostava era do esboço e que, portanto, a culpa era da Comissão Europeia. O BE, PCP e PEV, cada um à sua maneira, a sacode a água do capote, invocando um mal menor"

O foco do OE está errado, na pespetiva dos centristas, que dão o exemplo do anterior Governo, dizendo que a prioridade foi "a criação de condições para as empresas progredirem e ganharem mundo". "O foco do OE deveria ser precisamente a criação da riqueza e não reposição de rendimento sem gradualismo. Menos popular, certamente, mas mais consequente, mais robusto e mais capaz de enfrentar as intempéries que se anunciam".

O que faria o CDS se fosse Governo? "Devolveríamos de forma gradual". Não como o "Governo das esquerdas" que, com a sua "pressa e demagogia", acabou "a aumentar impostos e pela sua imprudência a colocar em risco esforços dos portugueses".

Assunção Cristas terminou a sua intervenção dirigindo-se a António Costa: "O senhor fez escolhas orçamentais. se Hoje pode escolher foi porque houve um governo anterior que libertou o país da troika que os socialistas chamaram, mas não sou nem nunca fui de guardar rancores. Quem faz o Orçamento é o Governo, quem tem incumbência de o Executar é o Governo. Se falhar, país estará certamente pior... Só posso fazer votos de que, pelo menos, o OE cumpra. Se alguma coisa correr mal, então só peço aos quatro pais deste Orçamento que assumam as suas responsabilidades e não façam como as crianças no recreio da escola".  

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