A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, criticou este domingo o “cinismo” de Pedro Passos Coelho (PSD) e a “hipocrisia” de Assunção Cristas (CDS) quando são abordados os “passos a dar sobre o futuro do país”.

Eu atrevo-me a dizer o cinismo de Pedro Passos Coelho, quando espera que tudo corra mal ao país porque não tem nenhuma proposta para o futuro”, declarou a dirigente bloquista na Madeira durante a sessão de apresentação dos candidatos à Assembleia Municipal do Funchal da coligação Confiança.

Catarina Martins também censurou “a hipocrisia de Assunção Cristas quando diz que quer baixar todos os impostos", quando "só soube subi-los" enquanto esteve no Governo.

"Qualquer pessoa com dois dedos de testa (...) sabe que neste momento e nestas eleições autárquicas no país as opções que as pessoas têm são à esquerda”, afirmou a dirigente do BE.

Estas críticas aos dirigentes nacionais do PSD e do CDS surgiram depois de a dirigente do BE abordar as posturas que estes adotam quando é feito o debate “sobre os passos a dar para o futuro”, sobre “como recuperar salários e pensões, de como fazer os serviços públicos estarem ao serviço de toda a gente e servirem as comunidades”.

Quando o debate à esquerda se faz sobre os caminhos e as responsabilidades que temos pela frente”, Passos Coelho e Assunção Cristas “ou esperam que tudo corra mal, como se só o mal do país pudesse ser o seu bem, ou acabam a propor aquilo que nunca fizeram e sempre combateram quando estavam no poder”, opinou.

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu no sábado uma redução de impostos em todos os escalões do IRS, argumentando ser "injusto e imoral defender baixas apenas para alguns".

Na sessão deste domingo , em que foi apresentada a coligação liderada pelo socialista e atual presidente do município, Paulo Cafôfo, apoiado pelo BE, JPP, PDR e o Nós Cidadãos, Catarina Martins destacou o “enorme caminho e o extraordinário trabalho que foi feito no Funchal” nos últimos quatro anos, considerando que “há no Funchal uma equipa, uma vontade e uma enorme determinação que é um exemplo para o país”.

Catarina Martins complementou que “essa mudança aconteceu e hoje ganhou a confiança no Funchal e é um trabalho extraordinário que vai continuar com muito mais força, com muito mais gente, e mais capacidade e assim dá um exemplo a toda a Madeira e a todo o país”,

Também sublinhou que “o Funchal foi precursor de uma outra forma de fazer política”, admitindo que, embora “não tenham sido anos isentos de dificuldades”, porque existiram diferenças entre os vários partidos, essas foram resolvidas através do diálogo, “havendo a coesão necessária sempre para avançar no que é o essencial”.

“Quando a direita, que governou com maiorias absolutas o Funchal e governa ainda o Governo Regional da Madeira, diz que não pode ser de outra maneira, sabemos que já perderam, porque as pessoas do Funchal e deste país sabem mesmo que há alternativa”, disse.

Apontou igualmente a “hipocrisia” da candidata do PSD à presidência da Câmara do Funchal, Rubina Leal, que já exerceu cargos e teve responsabilidades na autarquia então liderada por Miguel Albuquerque, o atual chefe do executivo madeirense, “que governou durante tanto tempo”, porque vem agora “dizer que vão fazer tudo diferente”.

Para a coordenadora do BE, “este caminho que foi feito no Funchal é importante para toda a região e para todo o país”, realçou, concluindo: “Tenho a certeza absoluta que a mudança que foi feita não volta atrás (…) se fizermos a mudança com confiança vamos obter um enorme resultado”.

Nesta sessão discursaram ainda o candidato da coligação Mudança, Paulo Cafôfo (PS), e o cabeça de lista para a Assembleia Municipal do Funchal, Rodrigo Trancoso (BE).

Nesta deslocação à Madeira, Catarina Martins contactou com as populações dos concelhos de Machico, Santa Cruz e Câmara de Lobos.