A presidente do CDS-PP considerou, nesta sexta-feira, que "Portugal deve dar um exemplo de tranquilidade", numa altura em que a Europa vive "um momento de inquietude e de transformação" com a saída do Reino Unido da União Europeia.

"Este é um dia de alguma tristeza. A União Europeia está a sofrer uma consternação profunda. Nós temos de respeitar naturalmente aquilo que foi o resultado da escolha dos cidadãos do Reino Unido", começou por dizer Assunção Cristas, que falava aos jornalistas no Porto.

Em Portugal temos de dar um exemplo de tranquilidade, de reflexão e também de algum otimismo. Este é um momento de inquietude e de transformação mas saberemos estar à altura de o ultrapassar", apontou.

Instada a comentar se acredita que a decisão tomada pelos ingleses em referendo pode ter um efeito contágio, incentivando outros países a realizarem consultas populares idênticas, Assunção Cristas reconheceu que esse é "evidentemente um risco" até porque reconheceu que já se veem “populismos por toda a Europa a falarem nesse sentido".

Para a líder do CDS-PP quer em Portugal, quer na União Europeia, é "tempo de refletir profundamente" de forma a encontrar "resposta mais efetiva" para dar às pessoas.

Para que este seja um tempo apenas de repensar e de reconstruir uma Europa mais próxima daquilo que é a preocupação de cada um de nós, de cada cidadão comum da União Europeia. Acredito que temos muito para fazer. Efetivamente a Europa tem muitas respostas para dar aos seus cidadãos", disse.

Sobre o facto dos mercados se ressentirem, Cristas afirmou que se trata de "uma consequência previsível" e que "cabe agora a quem acredita no projeto europeu trabalhar intensamente, refletindo sobre o que é necessário fazer" para garantir uma saída "forte deste momento difícil".

"No caso de Portugal lamentando a saída da UE de um país do eixo Atlântico e tão próximo de Portugal, mas sabemos que também por isso a nossa voz atlântica tem de ser mais ouvida e mais presente", vincou.

Assunção Cristas desejou uma reflexão "muito profunda e muito tranquila" a pensar "em que tipo de Europa se tem de apostar para garantir que as pessoas se reveem nela".

"Não será a Europa da burocracia, mas também não será certamente a Europa ‘papão' culpa dos problemas como vemos tantas vezes vários partidos a quererem afirmar", observou.

Questionada, por fim, sobre se a Europa tem atualmente líderes fortes, a presidente do CDS-PP considerou que "os líderes são o reflexo dos seus povos", cabendo aos "povos criar líderes fortes" para concluir que "onde estes não existem, aparecerão certamente".

Na quinta-feira, os eleitores britânicos decidiram em referendo que o Reino Unido vai sair a União Europeia, depois de o Brexit ter conquistado 51,9% dos votos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a intenção de se demitir em outubro, na sequência deste resultado.