Os diplomatas portugueses pediram esta terça-feira ao Governo que reconsidere a nomeação do professor Sampaio da Nóvoa como representante permanente de Portugal junto da UNESCO, mas o executivo garante que “o processo seguirá o seu curso”.

Em comunicado, a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses manifestou “completa surpresa e estranheza” perante a escolha de Sampaio da Nóvoa para a representanção permanente junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), depois de o Governo ter decidido reabrir o posto, encerrado pelo anterior executivo, na sequência da eleição do país para o conselho executivo deste organismo.

Não se considera que o valor demonstrado pela diplomacia portuguesa, cujo mérito tem vindo a ser tão evidente em sucessos dos últimos anos, possa ser suspenso pela nomeação de um embaixador político para um posto diplomático quando não há um excecionalismo de circunstâncias que o pudesse vir a tentar sustentar”, afirmam os diplomatas, na nota enviada às redações.

Os diplomatas apelam ao Governo “para que reconsidere a noticiada intenção” de nomear o professor para o cargo, “sem qualquer desconsideração pelo reconhecido mérito e experiência do professor Sampaio da Nóvoa no ofício académico, nem pelo seu contributo para a causa pública e para a vida política nacional”.

Contactado pela Lusa, o presidente da assembleia-geral da associação, o embaixador Manuel Marcelo Curto defendeu que “para um posto diplomático, nomeia-se um diplomata”.

É uma questão de profissionalismo”, disse o diplomata, acrescentando: “Não se está a ver um diplomata ser nomeado diretor clínico do Hospital Santa Maria ou ser graduado almirante”.

Em declarações à Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, garantiu que “o processo de nomeação do professor Sampaio da Nóvoa está em curso e seguirá o seu curso”.