O cabeça de lista socialista às europeias defende que o próximo sábado, dia em que simbolicamente se assinala o fim do resgate a Portugal, deverá ser um momento de reflexão profunda e não de celebração.

Francisco Assis falava no início de um almoço com apoiantes em Belmonte, num período da sua intervenção em que criticou o Governo e a maioria PSD/CDS por se prepararem para celebrar o fim do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

«Preparam grandes celebrações para o dia 17, pela saída da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) de Portugal, ignorando o estado em que o país se encontra. Quando olhamos à nossa volta e vemos desempregados, vemos uma classe média a empobrecer, vemos jovens a partir e vemos serviços do interior a encerrar, julgo que não há razão para celebrarmos coisa nenhuma, mas há razão para se fazer uma reflexão profunda e séria sobre o estado em que o país se encontra», advogou o "número um" do PS para o Parlamento Europeu.

De acordo com Assis, a forma como o PS e o PSD encaram o dia 17 demonstra bem as diferenças entre os dois partidos.

«Enquanto o PSD entende que pode celebrar um país empobrecido, o PS recusa aceitar o fatalismo de um país empobrecido», disse, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Em Belmonte, Assis fez um discurso muito ideológico, atacando o conceito de «despesismo» a associado à crítica política feita pela coligação PSD/CDS ao PS.

O candidato do PS questionou então o que teria acontecido em Portugal se, confrontado com a última crise financeira internacional, não tivessem existido ao longo das duas últimas décadas os investimentos em estradas, centros de saúde ou em escolas.

«Era bom que o PSD se preocupasse com o despesismo clientelar da Região Autónoma da Madeira, mas disso não fala. Ao falar em despesismo, no fundo, neste PSD de hoje, está a pôr-se em causa o investimento e a capacidade de intervenção do Estado na vida económica», apontou o cabeça de lista do PS.

Francisco Assis acusou ainda o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de ter recentemente usado uma metáfora política «inqualificável», dizendo que os socialistas «querem que sejam outros a pagar a conta».

«Ora, não há maior sinal de miopia do que este tipo de argumentação. O PS nunca propôs nenhum perdão de dívida, mas sabe que as taxas de juro da dívida pública baixaram agora conjunturalmente e, por isso, é importante que exista um instrumento de mutualização de parte da dívida na União Europeia», argumentou Francisco Assis.

Antes, o líder da Federação do PS de Castelo Branco, Joaquim Morão, defendeu que o voto na lista socialista servirá para reforçar a posição do PS perante as eleições legislativas.

«O dinheiro da Europa tem sido muito importante para financiar muitos projetos nacionais e regionais. Por isso, é preciso batermo-nos por uma Europa que seja solidária», defendeu ainda o ex-autarca de Castelo Branco e de Idanha-a-Nova, num discurso que se seguiu ao do presidente da Câmara de Belmonte, António Rocha.