"Quase não conseguimos fazer comícios de Leiria para baixo. Houve alguns tiros num comício em Guimarães, também em Sesimbra, Vila Franca, Setúbal… Na prática, só conseguimos fazer campanha livre em metade do território nacional".



"No Cadaval e na Lourinhã, houve momentos em que senti a vida em perigo. Eu e 29 camaradas, numa ação de campanha. A multidão foi incentivada por setores que vinham de antes do 25 de Abril".



"Como presidente da distrital de Lisboa [do PPD], e tendo de percorrer o Ribatejo, o Alentejo e o Algarve, só me calhavam favas. A tentativa de boicote de comícios era dia sim, dia sim".







"PS e PCP podiam ter feito um acordo e programa comum e as coisas teriam avançado. Houve divergências, o PCP privilegiou a aliança povo-MFA. Foi este o principal confronto ideológico, houve muita instrumentalização e, infelizmente, chegou até aos nossos dias. É difícil ultrapassar esses traumas".


houve uma "luta política entre democracia e comunismo"

"O que estava em causa era uma democracia do tipo ocidental ou uma democracia do tipo soviético. Os partidos democráticos assinaram o pacto porque queriam eleições, convencidos que acabaria por prevalecer a legitimidade democrática. Os outros estavam convencidos em fazer o que Lenine tinha feito na Rússia, em 1918, que era a dissolução da Assembleia Constituinte".


o debate começou a aquecer

"Houve um levantamento militar, a que se associou um movimento popular, criando uma aliança que nenhum professor, intelectual, nenhum génio tinha descoberto".




recordação negada por Jerónimo de Sousa

VÍDEO: as recordações do cerco à Assembleia Constituinte em 1975

o que levou Manuel Alegre a intervir



entrando novamente em confronto com Jerónimo de Sousa






"Foram tempos mais difíceis para PPD e CDS numa fase e depois para o PCP. O PS beneficiou com isso nas eleições, portugueses viam o PS como o fiel da balança (…) O PS tinha a legitimidade da luta anti-fascista e esteve na primeira linha do combate aos comunistas".







"Não podíamos votar a favor da Constituição económica, como se viu a seguir na revisão. O país perdeu muito tempo, ainda estamos a pagar essas opções. A democracia económica não se faz através nacionalizações. Era essa a divergência profunda entre o CDS e os vários socialistas".


VÍDEO: a discussão sobre o voto contra do CDS