Maria Luís Albuquerque mostrou-se disponível para explicar a sua contratação no Parlamento. 

O deputado do PSD, Matos Correia, anunciou esta sexta-feira a disponibilidade da ex-ministra das Finanças para ir à subcomissão de Ética prestar esclarecimentos sobre a sua contratação pela Arrow, cuja legalidade defendeu, remetendo julgamentos éticos para o domínio da subjetividade.

"A doutora Maria Luís Albuquerque está evidentemente disponível para poder prestar os esclarecimentos que forem adequados e considerados necessários junto da comissão de Ética, mas é importante sublinhar que esta contratação em nada belisca a lei portuguesa, não há nenhuma incompatibilidade, nenhum impedimento que pudesse obstar à aceitação deste convite e ao exercício destas funções", afirmou José Matos Correia, como cita a Lusa.

Falando aos jornalistas no Parlamento, o deputado e vice-presidente do PSD acusou ainda a oposição de "tentativa baixa de aproveitamento político" da contratação da deputada do PSD e ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque pelo grupo de gestão de crédito Arrow Global.

Não há em democracia no exercício destas funções, não pode haver, juízos morais, porque os juízos morais dependem de um caso para o outro. O que interessa é o que o legislador quis e o cumprimento estrito das regras a que estamos sujeitos. Esse cumprimento nesse caso acontecerá, está a acontecer, e ficará provado quer pelo evoluir dos acontecimentos quer pelo eventual parecer que a comissão de Ética vier a dar", defendeu.

O problema dos juízos éticos é que cada de nós faz os seus e isso introduz uma lógica de subjetividade que é inaceitável", reforçou.

Segundo José Matos Correia, o que os partidos da maioria de esquerda têm dito "é que a doutora Maria Luís Albuquerque abandonou o exercício de funções de ministra das Finanças e agora irá exercer uma atividade profissional de caráter não executivo numa empresa com a qual teve relações, isso é objetivamente falso".

É falso. A doutora Maria Luís Albuquerque foi ministra das Finanças, como ministra das Finanças, ela própria já disse, não teve nenhuma relação com esta empresa nem condicionou nenhuma decisão que fosse tomada a propósito dela", sublinhou.

Eu percebo que, em particular o PS, que ficou conhecido quando era Governo por dar indicações à Caixa Geral de Depósitos sobre créditos que devia ou não dar tenha pesos na consciência, mas isso não significa que todos os governos sejam como os governos socialistas", acusou.

Matos Correia frisou que nunca o Governo do PSD/CDS interveio, através do ministro das Finanças ou de qualquer membro do Governo, "na concessão de um crédito ou no perdão de uma dívida".

Questionado pelos jornalistas, Matos Correia respondeu que o PSD não tem qualquer objeção ao facto de Maria Luís Albuquerque acumular o exercício das funções de deputada com o cargo não executivo na Arrow.

Para o PSD isso não é uma questão", disse, considerando que a ex-ministra das Finanças "exerceu um direito e nunca o PSD se sentirá prejudicado pelo exercício de um direito por um seu deputado".

O deputado e dirigente social-democrata recusou ainda quaisquer alterações à lei das incompatibilidades: "Não vejo nenhuma necessidade de, à boleia de acontecimentos concretos, que, ainda por cima, são completamente legais, estar a mexer num quadro jurídico que não vejo nenhuma necessidade de ser alterado".

Sobre um eventual impacto negativo na imagem dos políticos que esta situação possa ter, Matos Correia respondeu: "Se isso acontecer e, infelizmente, é provável que aconteça porque a opinião pública já tem à partida uma opinião negativa sobre os políticos, os políticos é que se podem queixar disso, mas não quem agiu de acordo com as regras, mas quem não hesita em lançar lama sobre os outros, não percebendo que a lama que lança sobre os outros também recai sobre eles".