Arménio Carlos atacou, esta sexta-feira, em entrevista à 21ª Hora da TVI24, o Presidente da República. O secretário-geral da CGTP pede a Cavaco Silva respeito pela Constituição e pelo Parlamento.
 

“O senhor Presidente da República não se pode sobrepor à Assembleia da República e não pode apresentar-se como dono disto tudo. (…) Tem de respeitar o que está a ser discutido na assembleia da República e a maioria dos deputados da Assembleia da República, porque eles refletem a vontade dos portugueses.”

 

“Se as normas constitucionais forem respeitadas e já agora, se o senhor Presidente da República, por uma vez, respeitar o Parlamento, então estão criadas as condições para evitar os duodécimos e para evitar um Governo de gestão.”

 
Arménio Carlos sublinha que é importante, agora, refletir sobre “o sentido de mudança que os portugueses manifestaram no dia 4 de outubro”. “[Os partidos] agora o que têm é de apresentar as suas propostas. E para apresentem as suas propostas, devem ter em conta, quando chegar o momento, as propostas sindicais”, acrescentou.
 
Por isso mesmo, a CGTP solicitou já esta semana reuniões a todos os grupos parlamentares na AR.
 
O sindicalista adivinha tempos difíceis para o Governo da Coligação: “Creio que, neste momento, a questão de fundo é conhecer o programa de governo que vai ser apresentado. E já percebemos que o programa do PSD e do CDS ainda não foi apresentado na Assembleia da República e já é um nado morto”.
 
E Arménio Carlos espera do próximo Governo uma “sensibilidade social, que nos últimos quatro anos não tem existido em Portugal. (…) Governando para as pessoas”.
 

“A CGTP tem três questões fundamentais na discussão da política de rendimentos. O aumento geral dos salários - o aumento do salário mínimo nacional, a questão da dinamização da contratação coletiva e a política fiscal”, explicitou.

 
Quanto ao salário mínimo, Arménio Carlos reafirma o valor de 600 euros como base para uma negociação. “A CGTP há muito que tem apresentado a proposta de 600 euros, para negociar. É fundamental que o salário mínimo aumente. São 700 mil pessoas que estão empurradas, encostadas ao salário mínimo nacional”, sublinhou.