O líder da CGTP acusou esta terça-feira o ministro Paulo Macedo de ser «o coveiro da Saúde» em Portugal e disse que o governante tem de ser responsabilizado por qualquer caso grave que venha a ocorrer com doentes.

«Este ministro é o coveiro da Saúde e tem de ser responsabilizado politicamente por qualquer problema que venha a surgir que envolva mortes», declarou Arménio Carlos, que participou esta terça-feira na concentração de médicos que decorre junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

A CGTP considera que a greve de dois dias dos médicos «não é só uma luta em defesa dos direitos profissionais» mas, acima de tudo, de defesa da saúde dos portugueses.

«Esta manifestação conta também com o apoio da população portuguesa», referiu o dirigente da central sindical.

Arménio Carlos «avisou» o ministro da Saúde, Paulo Macedo, de que «com a vida das pessoas não se pode brincar», referindo-se aos «cortes cegos» que considera que o Ministério tem feito no setor.

Também presente na concentração, o médico e líder do Bloco de Esquerda, João Semedo, salientou a «significativa adesão» à greve, considerando-a uma das maiores de sempre.

«É mais uma grande greve de médicos em defesa do SNS, que se pretende que seja geral e universal, que seja humanizado, e não um SNS como o que este governo está a promover, com mais cortes. O SNS não aguenta mais cortes», declarou o deputado bloquista aos jornalistas.

Além de João Semedo, estiveram presentes na concentração representantes de outros partidos: Álvaro Beleza (PS), Paula Santos (PCP), Joaquim Correia (Os Verdes), Garcia Pereira (PCTP/MRPP) e Ana Matos Pires (Partido Livre).

Durante as intervenções a partir do palco montado junto ao Ministério da Saúde, o presidente da Associação das Unidades de Saúde Familiar (USF) frisou que os médicos não aceitam ser ¿os carrascos do SNS¿.

«Não aceitamos, nenhuma das gerações [de médicos aceita], ser os carrascos da reforma dos cuidados de saúde primários, não aceitamos ser os carrascos do SNS», declarou, arrancando um aplauso aos profissionais que se manifestavam.

A publicação do código de conduta ética, a que os médicos chamam «lei da rolha», a reforma hospitalar, o encerramento e desmantelamento de serviços, a falta de profissionais e de materiais e a atribuição de competências aos médicos, para as quais não estão habilitados, são os principais motivos na base da convocação da greve de dois dias, que hoje começou.

O protesto, que teve início às 00:00 desta terça-feirae decorre até às 24:00 de quarta-feira, foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e conta com o apoio da Ordem, de várias associações do setor e também de pensionistas e doentes.

Algumas centenas de médicos estão concentrados em frente ao Ministério da Saúde, em protesto contra as políticas no setor, que levaram a (FNAM) a convocar a greve.