
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, pediu este sábado que Portugal aplique uma dupla derrota à Alemanha, no futebol e nas políticas da chanceler Angela Merkel.
«Desejamos que Portugal ganhe [no jogo das 19:45] e que nos dê mais força para continuar a luta. Desejamos derrotar os alemães no futebol, mas também derrotar a política da senhora Merkel e do senhor Passos Coelho na Alemanha, na Europa e em Portugal», disse Arménio Carlos.
O dirigente falava aos jornalistas à margem da manifestação realizada pela CGTP, no Porto, em defesa de uma nova política para o país, que mobilizou 30 mil pessoas, escreve a Lusa.
O sindicalista sublinhou, contudo, que a vitória de Portugal no jogo deste sábado do Europeu, frente à Alemanha, ou outras vitórias que Portugal possa ter no Campeonato da Europa «podem animar o nosso povo, mas não resolvem os problemas do país».
Durante cerca de uma hora, indiferente à chuva que caía, Arménio Carlos seguiu à frente de um desfile de milhares de trabalhadores, entre a Boavista e a zona de S. Bento, onde proferiu um discurso de recusa das políticas de «empobrecimento, aumento da desigualdade e definhamento económico», que disse terem sido seguidas neste primeiro ano de Governo PSD/CDS.
«Temos um Governo obrigado a reconhecer que o desemprego vai continuar a aumentar, mas que não mudou uma vírgula na política de austeridade», disse, considerando que o país é dirigido por figuras que «desprezam as condições dramáticas a que hoje estão sujeitas milhares de pessoas».
Na sua intervenção, o dirigente sindical criticou o programa governamental Impulso Jovem, para introduzir 89 mil jovens no mercado de trabalho. O dirigente sindical considera que, na prática, se destina a financiar as empresas para «promover a ilusão» junto dos jovens e transformá-la de seguida numa «enorme frustração», quando os beneficiários do programa regressarem ao desemprego.
Arménio Carlos exigiu respostas «urgentes» para os desempregados de longa duração, sem proteção social, garantindo que estão nestas condições 57 em cada 100 pessoas excluídas do mercado laboral.
O protesto que a CGTP realizou este sábado no Porto contou com a participação de trabalhadores dos distritos a norte de Coimbra.
No dia 16, a central sindical realiza em Lisboa uma iniciativa similar, dirigida aos trabalhadores dos distritos abaixo de Coimbra.