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Armando Vara na lista dos presentes mais caros

Procurador de Aveiro compara explicações de Vara às dos traficantes de droga

Por: Cláudia Rosenbusch  |  12- 3- 2010  20: 1

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Armando Vara ouvido na Comissão de Ética

Os investigadores do processo Face Oculta têm na sua posse um documento em que Armando Vara surge como receptor dos presentes mais caros distribuídos pelo sucateiro de Ovar nos últimos anos.

O Ministério Público, na sua resposta a um recurso de Armando Vara, é particularmente cáustico e afirma que o ex-ministro tem justificações ao nível dos traficantes de droga.

Numa lista apreendida a Manuel Godinho, Armando Vara aparece como receptor dos presentes mais caros dados pelo sucateiro, nos anos 2004 e 2006. São as chamadas prendas «A».

Para o Ministério Público, esse documento prova que Manuel Godinho ofereceu muito mais do que uma caixa de robalos ao ex-ministro socialista.

O procurador de Aveiro escreve mesmo que o antigo governante foi uma peça-chave para o sucesso do empresário de Ovar junto de muitas empresas.

Foi Armando Vara a meter uma cunha a Paiva Nunes, administrador da EDP imobiliária, para receber Manuel Godinho e, por isso, terá cobrado 25 mil euros.

Por consideração ao então vice do BCP, Paiva Nunes, embora afirmasse não ter nada para adjudicar, recebeu e arranjou um grande negócio ao sucateiro.

Os trabalhos de demolição e de recolha de resíduos nos terrenos da EDP imobiliária, na rua do Ouro, no Porto, renderam a Manuel Godinho mais de 700 mil euros, uma verba dez vezes superior à estimada, anos antes, para trabalhos em tudo idênticos.

Uma verdadeira «mina de ouro» para o empresário de Ovar e para a qual o ex-ministro socialista terá contribuído de forma decisiva.

Sobre os «25 quilómetros» que Godinho se propõe pagar numa escuta telefónica, Armando Vara explica-se com a gíria bancária. Seria um depósito de 250 mil euros no BCP a realizar pelo sucateiro, enquanto grande cliente.

O Ministério Público ironiza e compara esta gíria bancária à linguagem cifrada usada por traficantes. «As justificações fazem lembrar as utilizadas noutros processos para explicar as encomendas de lençóis da branca e da escura como encomendas de produtos têxteis», escreve o procurador.

Manuel Godinho, único arguido em prisão preventiva no âmbito do Face Oculta, afirmou recentemente que nunca pagou a ninguém para obter favorecimentos.

Contactada pela TVI, a EDP imobiliária não revela o valor do negócio.

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