O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta quarta-feira que "acrescentar o PSD ao consenso não significa retirar" ninguém desse mesmo consenso, rejeitando que se crie um "novo arco da governação" que exclua partes do sistema político como aconteceu no passado.

Acrescentar o PSD ao consenso não significa retirar quem quer que seja do consenso que tem que existir", respondeu aos jornalistas António Costa, na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, quando questionado sobre os acordos entre PS e PSD.

O primeiro-ministro foi perentório: "Tal como antes não era possível manter um arco da governação que mantinha parte do sistema político sem espaço de intervenção na área governativa, não se crie agora um novo arco da governação que exclui outros".

Numa resposta implícita ao BE e ao PCP, que apoiam parlamentarmente o governo minoritário socialista, António Costa defendeu que "não pode haver na sociedade política portuguesa mecanismos de exclusão".

Na opinião do primeiro-ministro não é "nenhuma novidade" esta necessidade de consenso alargado em algumas matérias uma vez que se está "a decidir para aqueles que daqui a 100 anos continuarão a usar essas infraestruturas".

"Disponibilidade do PSD"

O líder socialista tinha começado a resposta sobre estes acordos com o PSD a insistir na distinção entre aquilo que considera serem dois planos diferentes.

Por um lado, o da solução governativa atual, que não há "nenhuma razão" para alterar e, por outro lado, um aspeto "completamente distinto" que tem a ver com as opções que o país tem de fazer que pela sua natureza estrutural devem sempre ser objeto do acordo político mais amplo possível".

Não é nenhuma novidade. Já no Programa do Governo está dito que quer a estratégia Portugal 2030, quer os grandes programas de investimento, quer mudanças no Estado como a descentralização devem ter esse acordo político muito alargado", recordou.

Segundo António Costa, a "única mudança é que hoje há uma nova disponibilidade do PSD que não existia anteriormente".

A liderança do Governo não mudou, a orientação política do Governo não mudou, a nossa vontade de acordos políticos alargados não surgiu agora. Aquilo que registamos de novo é que passámos a ser correspondidos", observou.

O primeiro-ministro deu o exemplo da falta de capacidade do aeroporto de Lisboa para responder à procura, considerando que se "há 20 anos tivesse havido um acordo político sobre as infraestruturas”, hoje haveria a capacidade aeroportuária que “toda a gente se queixa que não há”.