O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, disse esta terça-feira que a Guiné-Bissau precisa de dar «sinais correctos», nomeadamente a realização de presidenciais, para ter apoio da comunidade internacional, refere a Lusa.

«É extremamente difícil angariar apoio internacional para a Guiné-Bissau (¿) se não há credibilidade internacional do país, mas ao mesmo tempo acho que há muita disponibilidade para ajudar a Guiné-Bissau se os sinais correctos vierem cá de dentro», afirmou João Gomes Cravinho em Bissau, onde representou Portugal no funeral do Presidente «Nino» Vieira.

«Estamos num momento decisivo para o país. Nas próximas semanas determinar-se-á aquilo que vai ser o país durante os próximos anos», disse.

Questionado sobre quais são os «sinais correctos» a dar pelas autoridades da Guiné-Bissau, o secretário de Estado português explicou que passam pela realização de eleições e pela recusa de qualquer impunidade.

«Obviamente, também uma recusa de qualquer impunidade. Assassinou-se um chefe de Estado, assassinou-se um chefe de Estado-Maior das Forças Armadas. Qualquer país em que isto aconteça e que se dê ao luxo de deixar passar impune é um país onde estas situações voltarão a ocorrer», afirmou João Gomes Cravinho.

Sobre o facto de a comissão de inquérito aos assassínios do Presidente «Nino» Vieira e Tagmé Na Waié, criada pelo Conselho de Ministros há mais de uma semana, ainda não estar a trabalhar, João Gomes Cravinho disse que não conhece «exactamente o que se passa a esse respeito».

Sobre a forma como a população está a viver esta situação, passado uma semana dos ataques, João Gomes Cravinho disse ter a «impressão de que a população da Guiné-Bissau está de facto em choque».

«Creio que há uma profunda convicção na população de uma necessidade absoluta de se encontrar uma nova forma de fazer política», considerou.