António Sampaio da Nóvoa desafia os futuros candidatos às eleições presidenciais a pararem de «brincar ao esconde-esconde» e admitirem as suas «decisões» e «ideias». O ex-reitor da Universidade de Lisboa ainda não assume, em entrevista ao «Jornal de Notícias», mas a TVI sabe que será o candidato apoiado pelo PS.
 

«Se decidir assumir esse gesto, terá de ser rapidamente. Tenho assistido com algum desconforto ao turbilhão das últimas semanas. Tem havido banalização, até uma certa ridicularização, de um momento que é decisivo para os portugueses. Esse momento de brincar ao esconde-esconde tem de acabar, é preciso que as pessoas afirmem as suas decisões, as suas ideias para o país».


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Sampaio da Nóvoa sublinha que o seu prazo é o mês de abril, confirmando assim que deverá apresentar a candidatura nas próximas semanas, como avançou o «Expresso».
 

«Não é sério dizermos que somos candidatos em outubro para umas eleições que acontecem dois meses depois».


Questionado sobre se estava a criticar o prazo defendido por Marcelo Rebelo de Sousa, um dos potenciais candidatos da direita, o ex-reitor nega.
 

«Afirmo apenas que seria um desrespeito para os portugueses e para a eleição presidencial se os candidatos não apresentassem, com clareza e com tempo, a sua carta de princípios e o seu programa».


Apesar de ser o preferido do PS, António Sampaio da Nóvoa admite que pensa ir mais além nos apoios e que até se inspira em Ramalho Eanes, então apoiado pela esquerda e pela direita.
 

«Precisamos de política a sério e de que todas as pessoas, na social-democracia, no socialismo, nos movimentos sociais, se unam».


Sobre o perfil para um Presidente traçado por Cavaco Silva recentemente, o ex-reitor defende que este tem de fazer um «equilíbrio de diversos poderes», mas avisa o atual chefe de Estado que o seu poder vai «muito além dessa articulação do plano político».
 

«Tem de ouvir e ser capaz de se apropriar dos problemas das pessoas e resolvê-los (…) Tem de fazer presidências pelo país inteiro, tem de ter ação externa, diplomática (…) Tem de abraçar causas de liberdade, de luta contra a pobreza, de luta pela educação. Tem de ser um presidente da língua portuguesa. Para isso, é preciso falar».


Admitindo que a sua «falta de notoriedade é um problema importante», Sampaio da Nóvoa promete utilizar os próximos meses para se aproximar dos eleitores e ganhar a sua confiança.
 

«Sei que é um processo extraordinariamente exigente, mas qual é a alternativa? Escolher os mesmos de sempre. É isso que tem acontecido em Portugal: há muita lamentação, mas na altura de decidir, decidimos da mesma maneira».