O deputado do PSD António Rodrigues defendeu, esta quinta-feira, que as declarações do presidente da Comissão Europeia são o «reconhecimento das dificuldades» de Portugal e também da capacidade de cumprir, não as classificando de «infelizes», como o ministro da Presidência.

«A declaração do presidente da Comissão Europeia, senhor Juncker, representa, em primeiro lugar, o reconhecimento das dificuldades que o país passou e dos sacrifícios que os portugueses passaram durante os últimos três anos», começou por afirmar António Rodrigues aos jornalistas no parlamento.

Confrontado com a reação do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, o deputado do PSD respondeu: «Não vou comentar as declarações do senhor ministro Marques Guedes, sei, apenas e só, que aquilo que ele queria dizer seguramente era que também nessas palavras do senhor Juncker estava esse reconhecimento de capacidade que o Governo teve, em negociar com os vários parceiros da troika, mas também se contornar as dificuldades que a economia portuguesa tinha».

Na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, Marques Guedes tinha dito: «Acho, manifestamente, que é uma declaração bastante infeliz do presidente da CE porque nunca a dignidade de Portugal nem dos portugueses foi beliscada, pela troika ou qualquer das suas instituições. Só posso classificá-la como declaração infeliz».

O deputado António Rodrigues acrescentou que o Parlamento Europeu tinha feito «uma análise muito semelhante» à de Jean-Claude Juncker.

Questionado sobre a posição de Juncker face ao anterior presidente da Comissão, Durão Barroso, António Rodrigues respondeu que só o próprio poderá esclarecer que opinião tem sobre o seu antecessor.

«Nós temos a opinião que o doutor Durão Barroso, enquanto presidente da Comissão Europeia, exerceu o mandato sempre com a preocupação de cumprir a legislação europeia, mas também a suportar politicamente a posição de Portugal, quer com este Governo e com o anterior», afirmou.

Para António Rodrigues, «a Comissão Europeia a única coisa que se limitou foi a cumprir o programa que tinha negociado em 2011 e apoiou e acompanhou as alterações que o Governo português foi fazendo ao longo dos anos».

O deputado sublinhou que a troika é composta por três entidades (BCE e FMI, além da Comissão Europeia) e que a avaliação não se deve centrar apenas na Comissão que, disse, «tentou ajudar na medida do possível os países em dificuldades».

António Rodrigues insistiu que as declarações de Juncker além de reconhecerem os «sacrifícios» e as «dificuldades» de Portugal, também ilustram a capacidade de o país cumprir o programa.

«Hoje a Europa reconhece que foi bem-sucedido e com os resultados que hoje também são conhecidos relativamente ao desempenho da nossa economia, mas acima de tudo, é um reconhecimento da capacidade que o Governo teve de cumprir os compromissos», disse.

O deputado social-democrata argumentou que «o Governo português não foi submisso ao longo deste processo, foi um Governo que batalhou e tentou alterar situações que estavam pré-subscritas e que foi alterando de acordo com o desempenho da economia portuguesa».

«Não era um programa perfeito, não eram cláusulas fáceis, mas nós conseguimos dar a volta a essa situação», declarou.

O presidente da Comissão Europeia afirmou na quarta-feira que a troika «pecou contra a dignidade» de portugueses, gregos e também irlandeses, reiterando que é preciso rever o modelo e não repetir os mesmos erros.

«Pecámos contra a dignidade dos cidadãos na Grécia, Portugal e muitas vezes na Irlanda também», disse Juncker perante o Comité Económico e Social, admitindo que a afirmação pode parecer «estúpida» dita pelo ex-presidente do Eurogrupo.

«O programa da troika, imposto nomeadamente a Portugal, é um programa bastante duro, cuja dureza tinha a ver com a situação extremamente difícil em que o país se encontrava. É conhecido que Portugal conseguiu, através da credibilidade e confiança que granjeou, ir fazendo correções ao próprio programa, em termos de metas e objetivos», referiu o responsável governamental português.