O secretário-geral do PS mostrou-se hoje satisfeito com o avanço para a união bancária na Europa, «na linha da mutualização», embora considere o montante em causa «ainda distante do desejável», após reunião com a bancada parlamentar socialista.

«Trata-se de um avanço em relação à proposta que estava em cima da mesa, mas ainda distante do desejável, nomeadamente em relação ao montante. O montante de 55 mil milhões de euros está muito distante, manifestamente, em relação ao que foi necessário para acudir a uma crise do sistema bancário europeu», disse António José Seguro, no Parlamento.

A Comissão Europeia congratulou-se hoje com o acordo sobre o mecanismo único de resolução bancária, afirmando que a conclusão da união bancária vai permitir «estabilizar os mercados financeiros e ajudar à recuperação da economia».

«Esse avanço é perseguido segundo uma linha de mutualização que eu tenho vindo a defender, não apenas para este fundo de resgate, caso necessário para o sistema bancário, mas também para a gestão da nossa dívida», continuou o líder socialista.

O Parlamento Europeu e o Conselho (que congrega os 28 Estados-membros) chegaram a um acordo sobre a proposta para um mecanismo único de resolução bancária, que vai complementar o mecanismo único de supervisão, já aprovado, e que, a partir do fim deste ano, dará ao Banco Central Europeu poderes de vigilância direta sobre os bancos a zona euro e de outros países que adiram à união bancária.

«Vivemos um momento político e social muito importante no nosso país e, portanto, entendi vir aqui reunir com os deputados do PS e abordar a situação, no sentido de haver uma articulação perfeita entre a atividade da família socialista, sabendo que a frente parlamantar é bastante importante», justificou Seguro, cuja presença pouco habitual na reunião fora explicada pelo «momento político relevante».

O também deputado socialista frisou ter reafirmado junto dos restantes parlamentares «a prioridade do emprego, mas também a necessidade de continuar a haver políticas sociais que combatam as desigualdades» em Portugal.

«O país podia estar muito melhor se o Governo tivesse escutado e aproveitado as propostas do PS de criação de emprego para Portugal e a Europa. Temos de provocar a mudança na Europa e em Portugal. As eleições de 25 de maio devem promover essa mudança», incitara antes Seguro.

O secretário-geral do PS pediu ainda aos deputados para fazerem tudo para que sejam apuradas responsabilidades no caso das prescrições de processos judiciais que envolvem antigos dirigentes da banca, encontrando-se soluções para suspender os prazos de prescrição em determinados casos.