O secretário-geral do PS defendeu hoje que tem de haver uma estratégia nacional na prevenção de incêndios florestais e que a prevenção deverá merecer um esforço de investimento mais equiparado ao do combate aos fogos.

Miguel Macedo compara clima em agosto aos verões de 2003 e 2004

António José Seguro falava aos jornalistas após uma visita à Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, na qual foi recebido e esteve reunido com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e em que esteve acompanhado pelo líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, e pelos dirigentes socialistas Mota Andrade e Miguel Freitas.

Ao fim de hora e meia de reunião, o líder do PS deixou uma mensagem de solidariedade em relação a todos os bombeiros, insistiu que este ainda não é o momento para o apuramento de responsabilidades em relação às consequências dos recentes incêndios florestais e defendeu uma estratégia de âmbito nacional ao nível da prevenção dos fogos.

À saída do Comando Nacional de Operações de Socorro, o secretário-geral do PS declarou que o ideal será que «no tempo da prevenção todos assumam as responsabilidades para que se diminuam o número de incêndios no país».

«O país não pode passar por esta situação de uma forma resignada, em que todos os verões há incêndios que têm provocado as tragédias que todos conhecemos. É preciso que o país faça o mesmo esforço que fez nos últimos seis ou sete anos no combate aos incêndios também na área da prevenção», afirmou, antes de advogar a necessidade de cadastrar o território nacional - «tarefa que leva anos, mas que importa começar já de forma consistente e séria».

«Depois, penso também que a prevenção não é apenas uma responsabilidade das autoridades e do Estado, mas de todos os cidadãos portugueses, designadamente dos que têm responsabilidades na limpeza das suas florestas. Há leis claras sobre esta matéria e o que é preciso é cumprir essa legislação», sustentou.

Invocando a sua qualidade de líder do maior partido da oposição, António José Seguro considerou ser um «dever» inteirar-se da forma como está a ser travado o combate aos incêndios e salientou que o problema dos fogos florestais não pode ser encarado como uma questão partidária.

«Tem de haver um olhar nacional e a minha responsabilidade é saber como está a ser feito esse combate. Quero expressar a minha admiração pelo trabalho desenvolvido por todos os portugueses que combatem os incêndios ao nível da Proteção Civil, bombeiros ou Forças Armadas», disse.

Segundo Seguro, Portugal está a confrontar-se com uma «tragédia do ponto de vista florestal, mas, fundamentalmente, do ponto de vista humano», havendo já a lamentar a morte de seis bombeiros, «além de outros em situação difícil a lutar pela sua vida, cuja situação se deseja que evolua favoravelmente».

«Na devida altura deverão ser apuradas as devidas responsabilidades por essa situação. Este não é o tempo de fazer o apuramento de responsabilidades, mas de prestar solidariedade e recolher informação», afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre a presença (não anunciada publicamente) de Miguel Macedo na reunião com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, António José Seguro disse não ter ficado surpreendido.

«A partir do momento em que pedi para efetuar esta visita, o senhor ministro da Administração Interna comunicou que estaria presente. Considero um ato positivo em termos institucionais. Foi um gesto que quis ter com o líder do principal partido da oposição e isso só valoriza a democracia portuguesa», acrescentou.