O candidato às primárias do PS António José Seguro defendeu esta quarta-feira o aumento do salário mínimo nacional «estável» e integrado numa política de rendimentos, criticando o Governo pelo atraso numa decisão que não deve ser em função do ciclo eleitoral.

No final de uma visita à Agros no âmbito da campanha para as eleições primárias do PS, Seguro foi questionado pelos jornalistas sobre o valor que defende para o salário mínimo nacional - o seu opositor António Costa sugere que seja 522 euros -, recusando-se a entrar «numa competição de quem oferece mais» para este aumento porque o «valor deve ser encontrado em concertação social».

«E não deve ser um aumento pontual e depois passados três ou quatro anos voltamos a discutir o mesmo. Não. Tem que ser um aumento que se integre numa política de rendimentos, que seja estável, de modo a que os trabalhadores portugueses - mas também os empresários - saibam com o que contam para o futuro», concretizou.

O secretário-geral do PS criticou o Governo pelo facto de atrasar esta decisão, uma vez que «verdadeiramente há uma disponibilidade por parte dos empresários e dos trabalhadores» mas o executivo «quer retirar proveitos para outros acordos que não fazem sentido neste momento».

Interrogado sobre se tem expectativa que esta questão fique resolvida devido à proximidade das legislativas de 2015, Seguro considerou que «se isso acontecer é mais um triste exemplo do que é a política portuguesa».

«Nós temos que ter acordos no nosso país que valham não apenas para o dia seguinte mas para futuro. É isso que eu insisto: no sentido de não se agir em função da tática política ou do ciclo eleitoral mas que se aja em função da necessidade dos portugueses», sublinhou.

Para o líder socialista não se pode «decidir as coisas em função da conjuntura», sendo essencial «decidir políticas de rendimentos em função daquilo que é a evolução do nosso país para futuro, do crescimento económico, da inflação, da produtividade» porque «tem que haver estabilidade».

«Neste momento o que é essencial é aumentar o salário mínimo nacional porque isso significa um contributo para aumentar o rendimento dos trabalhadores que recebem menos e também uma ajuda à economia nacional», reiterou.

Representantes do Governo e dos parceiros sociais reuniram-se hoje para discutir o aumento do salário mínimo nacional.

No final da reunião, o secretário de Estado do Emprego, Octávio de Oliveira, disse que o Governo quer esgotar a possibilidade de um consenso entre os parceiros sociais em relação ao salário mínimo nacional.

Já a UGT propôs hoje um salário mínimo nacional de 505 euros sem atualização até ao final de 2015, abrindo mão de efeitos retroativos, um valor que a CGTP considerou que «não é minimamente justo».