O candidato às eleições primárias do PS António José Seguro assumiu o princípio de não rever a legislação laboral no que signifique diminuição dos direitos dos trabalhadores, defendendo uma economia de mercado sem retrocesso dos direitos sociais.

António José Seguro participou, ao final da tarde, num encontro com sindicalistas no Porto, onde reiterou ser «inaceitável que ainda não se tenha promovido o aumento do salário mínimo nacional», sublinhando que «há um consenso social e político na sociedade portuguesa» sobre esta matéria e quem está de fora é o Governo.

«Quero assumir estes dois princípios convosco. Primeiro, o do desenvolvimento de uma economia de mercado, mas sem retrocesso dos direitos sociais, e segundo, a não necessidade de rever a legislação laboral no que isso signifique diminuição dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores do nosso país», declarou.

O secretário-geral do PS recordou que os socialistas sempre foram «favoráveis ao desenvolvimento de uma economia de mercado», mas nunca quiseram que esta «se transformasse numa sociedade de mercado».

«Não aceitámos e não aceitamos que o avanço das economias de mercado se faça à custa do retrocesso dos direitos sociais dos trabalhadores e das trabalhadoras», enfatizou.

Seguro sublinhou que «ainda há alguns - poucos - que dizem que é necessário mexer na legislação laboral», convidando os presentes a ler os resultados dos inquéritos feitos aos empresários portugueses, nos quais em nenhum aparece como primeira prioridade a necessidade de rever a legislação laboral.

Sobre a necessidade do aumento do salário mínimo nacional, o líder socialista recordou que «as centrais sindicais estão de acordo, as confederações empresariais estão de acordo, os partidos da oposição estão de acordo».

«Há um consenso social e político na sociedade portuguesa. Quem é que está fora? O Governo. E porquê? De que é que o primeiro-ministro está à espera? Por que é que não coloca esse assunto na concertação social?», questionou.

Em momento de campanha eleitoral interna, foi da voz do líder da UGT, Carlos Silva, que saiu o discurso mais duro para com o outro candidato às primárias, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

Na opinião de Carlos Silva, ficou uma «nódoa indelével» na carreira política de António Costa ao ter promovido esta crise na liderança do PS, acusando-o de ter feito tudo à «sorrelfa», traindo os princípios e valores éticos do PS.