O líder do PS manifestou-se, esta segunda-feira, «insatisfeito» com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), por haver «cortes cegos» a criar problemas de acessibilidade e falta de resposta a idosos que chegam «com fome» e complicações de saúde às urgências.

António José Seguro, que falava em Torres Vedras, onde visitou o hospital local (que conjuntamente com o de Caldas da Rainha integra o Centro Hospitalar do Oeste - CHO), disse não poder «estar satisfeito» com o SNS, antes se mostrou «bastante preocupado», quando em causa está »o tempo adequado» e as condições para a prestação dos cuidados de saúde.

No hospital de Caldas da Rainha, segundo Seguro, encontrou uma «doente indignada por estar numa cama no corredor das urgências».

O secretário-geral do PS alertou, também, que «há casos de idosos que, quando chegam ao hospital, a primeira pergunta que fazem é quando lhes dão comida».

Para António José Seguro, além dos problemas de saúde da população sénior, há «um problema social criado pelo facto de as pessoas terem menos rendimentos», aos quais o Estado tem de dar resposta, «para que as pessoas sejam tratadas de forma adequada».

«Quando se fazem cortes cegos na saúde, as consequências negativas estão à vista», criticou, defendendo uma gestão mais integrada, não só entre hospitais e centros de saúde, mas também com unidades de cuidados continuados que possam receber mais idosos.

Na ocasião, António José Seguro apontou, por outro lado, a inexistência de transportes públicos adequados entre os dois hospitais do CHO, como exemplo das consequências negativas da concentração de serviços hospitalares.

«Quando se pensa neste tipo de reformas é importante que se pense, em primeiro lugar, não nos serviços mas nas pessoas que precisam deles. Com a saúde dos portugueses não se brinca e não se pode criar barreiras às pessoas que já têm uma determinada idade, não têm automóvel e têm de recorrer a transportes públicos», afirmou.

Para António José Seguro, é preciso tirar melhor partido da capacidade instalada no SNS, através, por exemplo, do aumento das horas nos blocos operatórios, para que «a lista de espera no público não seja a carteira de clientes do privado».

No sentido de valorizar o SNS, defendeu que os profissionais deverão exercer os serviços em regime de exclusividade, para «não haver conflito de interesses».