O secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, considerou esta quarta-feira «surpreendente» que Cavaco Silva se mantenha calado na atual crise política.

«É surpreendente que o Presidente da República esteja em silêncio», disse Seguro, em entrevista na SIC Notícias, depois de criticar o Executivo, a quem acusou de «afrontar» o Tribunal Constitucional.

«Muito me admira a posição do Presidente da República, que não diz absolutamente nada sobre esta situação», insistiu.

Seguro entende também que Cavaco Silva deveria obrigar o Executivo a revelar a carta que dirigiu ao FMI, perante a recusa do primeiro-ministro em fazê-lo.

«Se o primeiro-ministro não quer divulgar a carta, o Presidente da República deve obrigá-lo a fazê-lo», afirmou.

O PS entregou na terça-feira um requerimento no parlamento a exigir ao primeiro-ministro que divulgue imediatamente a carta de intenções ao FMI.

Os socialistas acusaram o Governo de estar a «preparar com a troika um programa pós-troika» e que «pretende fazê-lo nas costas dos portugueses».

Sobre a situação interna do PS, Seguro reiterou que não está «agarrado ao poder» nem vê divergências programáticas com o seu rival na disputa da liderança, António Costa, de quem lembrou ter sido o número dois de José Sócrates, quando este dirigiu os socialistas.