O secretário-geral do PS afirmou hoje em Coimbra que «quem está satisfeito com o sistema» não quer uma mudança no país e não quer transparência, referindo-se aos que criticam as suas propostas de reforma das leis eleitorais.

«Quem está satisfeito com o sistema e instalado no sistema, é óbvio que não quer uma mudança no país. Nós queremos a mudança. Nós queremos a transparência», disse o candidato às primárias de dia 28, referindo-se às 11 propostas de reforma do sistema político apresentadas na terça-feira.

Segundo António José Seguro, a reforma do sistema político significaria «uma mudança no modelo entre a política e os negócios», afirmando-se uma «cultura de verdade e um projeto de transparência».

Optando por não se focar na proposta da redução do número de deputados, Seguro evidenciou outras propostas, como a possibilidade de «os portugueses escolherem o seu deputado», a «declaração de clientes, incluindo a lista das avenças» de deputados e o impedimento dos envolvidos «em processos de privatização» de trabalharem na empresa em causa.

«Não oiço falar sobre maior transparência no exercício de cargos políticos», protestou Seguro, considerando estar «no rumo certo», porque a própria cultura do partido é «uma cultura de transparência».

O candidato às primárias, que defronta António Costa a 28 de setembro, voltou a frisar a importância do «investimento orientador» e da utilização dos fundos comunitários para requalificação de trabalhadores, apoio aos bens e atividades transacionáveis e apoio ao investimento, sublinhando a importância de se esbaterem as necessidades alimentares e energéticas do país.

Seguro salientou também que não irá prometer «uma coisa para depois fazer outra», referindo que essa foi «a história dos últimos quatro primeiros-ministros». «Não estamos aqui para fazer mais do mesmo», salientou.

António José Seguro falava durante um jantar com militantes e simpatizantes, numa unidade hoteleira de Coimbra, onde também discursou o presidente da Federação Distrital do PS de Coimbra, Pedro Coimbra, e o presidente da Câmara de Coimbra e da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado.

Manuel Machado, mandatário da candidatura de Seguro, frisou que António Costa «rasteirou a caminhada» do PS, considerando que «quem faz isso não é a melhor pessoa para liderar o país».