Os líderes do PS, António José Seguro, e do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, declararam-se hoje unidos contra a austeridade sem limites que está a ser imposta a nível europeu e em defesa de uma Europa alternativa, apoiada na social-democracia.

Aprofundar a integração política e económica e fortalecer a agenda socialista para as eleições europeias do próximo ano foram os temas dominantes do encontro de cerca de 45 minutos que os dois dirigentes socialistas ibéricos à margem da Conferência Política do partido espanhol, em Madrid.

Um encontro, explicou Seguro aos jornalistas, em declarações conjuntas com Rubalcaba onde partilharam «as visões comuns sobre a crise quer em Espanha quer em Portugal quer no seio da União Europeia (UE)».

«É fundamental que nas próximas eleições europeias se proceda a essa escolha: ou a manutenção das políticas de austeridade que não conduzem a solução de nenhum problema, ou a de equilibrar as contas públicas, mas com prioridades muito claras», disse.

Em particular destacou «o apoio ao emprego e à criação de um dinamismo económico que gere os recursos para equilibrar as contas públicas e para manter as funções sociais do Estado, uma educação publica de qualidade, um serviço de saúde e uma proteção social pública», disse.

Explicando que ambos defendem «um aprofundamento político da UE» e um governo económico europeu, Seguro insistiu que além da responsabilidade de cada país é necessário que a UE e especialmente a zona euro «assumam as suas responsabilidades».

Destacou, em concreto, que a UE deve «tomar iniciativas no que respeita a mutualização de parte da dívida soberana» e para garantir que o BCE pode atuar para que «o financiamento dos Estados possa ser feito com taxas adequadas», o que representaria uma «redução do défice e um alívio dos sacrifícios».

Também aos jornalistas portugueses Rubalcaba agradeceu a presença de Seguro ¿ o único líder socialista europeu que está na conferência, afirmando que os dois partidos mantêm uma relação «quase semanal» por partilharem valores, mas também problemas.

«Portugal e Espanha estão a passar por uma situação muito difícil. Nos dois países governa a direita. Estão a sofrer uma política da direita europeia que está a ser especialmente negativa para o sul», afirmou.

Mas a nível de futuro, destacou, os dois partidos também compartem «um horizonte e uma esperança», cimentando na mudança nos dois países, na «mudança do governo na Europa e na mudança da política económica».

Em concreto, Rubalcaba referiu-se à «falta de união monetária, de um banco central, de união fiscal, de união bancária, de união social, de um verdadeiro governo europeu e de prestar contas».

«Faltam muitas coisas, mas a verdade é que Espanha e Portugal precisam da Europa. Para que a Espanha e Portugal vão bem a Europa tem que mudar. E essa mudança só pode vir da mão dos socialistas e dos sociais-democratas. Por isso são tão importantes as eleições europeias», afirmou.

Questionado sobre se o PSOE tem inveja do melhor comportamento nas sondagens que o PS está a ter, face aos socialistas espanhóis, Rubalcaba disse estar «muito contente».

«Sabemos que primeiro começa Portugal e depois vem Espanha», disse.

Sobre porque é que o PSOE ainda não conseguiu dar a volta depois da derrota de 2011 e o PS já o fez nas últimas autárquicas, Rubalcaba foi lacónico: «Eles fizeram melhor», disse.