O secretário-geral do PS disse esta sexta-feira que conseguiu evitar uma votação do IRC para tentar que as Pequenas e Médias Empresas (PME) pudessem ter «uma redução efetiva», porque não são as «muito grandes empresas» que precisam de apoio.

Numa última tentativa de consenso com o PS, a maioria PSD/CDS decidiu adiar para a próxima semana a votação final da reforma do IRC, atitude que o secretário-geral do PS classificou como «muito positiva».

No jantar de Natal da federação do PS/Porto, Seguro disse que ainda esta sexta-feira, no parlamento, teve «a oportunidade, em nome do PS, de evitar que houvesse já uma votação do IRC para tentar que as Pequenas e Médias Empresas do nosso país pudessem ter uma redução efetiva da taxa do IRC».

«Para nós, alterar as taxas do IRC só faz sentido se apoiarem as Pequenas e Médias Empresas. Porque as PME representam mais de 90% do total das empresas do nosso país e empregam mais de 75% de todos os nossos trabalhadores. São essas que precisam de ser apoiadas. Não são as muito grandes empresas que precisam ser apoiadas», defendeu.

O secretário-geral socialista considerou que também nesta questão se nota uma diferença entre o PS e o Governo.

«O primeiro-ministro quer reduzir dois pontos percentuais na taxa do IRC, significa que as 20 empresas, as principais empresas cotadas na bolsa, poupariam num só ano cerca de 100 milhões de euros em impostos. A EDP, por exemplo, pouparia cerca de 20 milhões de euros num ano. Mas uma empresa que tenha 10 mil euros de lucro, sabem quanto é que poupa? Duzentos euros de impostos», exemplificou.

Segundo Seguro, «não é justo» que isto aconteça, considerando que é preciso «apoiar os mais pequenos, quem mais cria emprego no nosso país».

«Todas as empresas são importantes e são necessárias, mas, quando há uma descida de impostos, nós devemos em primeiro lugar fazê-los descer para as empresas de pequena e média dimensão. E foi isso que, mais uma vez, hoje fizemos no parlamento», justificou.