O secretário-geral do PS, António José Seguro, reafirmou que espera que, no chamado caso BES (Banco Espírito Santo), «nada fique por esclarecer» e «nenhuma verdade fique por apurar».

«Os portugueses têm direito a saber toda a verdade, porque este caso BES não é o caso apenas de um banco ou do sistema bancário, ou do sistema financeiro, é um caso da democracia portuguesa e se houver ocultação de alguma verdade, se não se apurar toda a verdade e todas as responsabilidades é o próprio regime democrático que fica em causa», afirmou.

António José Seguro falava na Guarda, na sessão inaugural das obras de requalificação da sede local do PS.

O secretário-geral socialista referiu no seu discurso que no caso BES todas as instituições devem assumir «as suas responsabilidades» para que a verdade seja esclarecida e «venha ao de cima como o azeite».

«É por isso que todas as instituições - as instituições do Governo, os órgãos de soberania, as instituições de justiça, as instituições da regulação, da supervisão - devem assumir todos as suas responsabilidades para que a verdade venha ao de cima como o azeite e se possa apurar responsabilidades e as relações que não deveriam ter existido entre o sistema financeiro, sistema económico e, porventura, também com o sistema político», declarou.

Seguro disse ainda que os portugueses precisam «de ter confiança no sistema de justiça, no sistema financeiro e no sistema bancário».

O BES, tal como era conhecido, acabou no início de agosto depois de o Banco de Portugal ter anunciado a sua separação num "banco mau", que fica com os ativos tóxicos, e num "banco bom", denominado Novo Banco, que fica com os ativos bons como depósitos e créditos bom e recebe uma capitalização de 4.900 milhões de euros.

Após o anúncio desta solução, o Governo, através do Ministério das Finanças, afirmou que os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com o financiamento do BES e a Comissão Europeia anunciou que aprova a solução, que está em linha com as regras de ajuda da União Europeia.

O Novo Banco será liderado por Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado à frente do BES e a quem coube dar a conhecer prejuízos históricos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre.