O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português Rui Machete considerou hoje que a diplomacia portuguesa “foi boa” no empenho em promover a eleição de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas, mas o próprio ex-governante português “foi determinante”.

“É um homem cheio de qualidades intelectuais e morais”, com “uma carreira internacional brilhante”, elogiou o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros no anterior Governo PSD/CDS-PP.

A diplomacia [portuguesa] foi boa, ajudou, esforçou-se, mas, naturalmente, o papel pessoal do engenheiro Guterres foi determinante”, destacou. “É bom para as Nações Unidas e é bom para o nosso país ter pessoas a ocupar lugares de tanto relevo”, admitiu Rui Machete.

António Guterres venceu hoje a sexta votação para o cargo de próximo secretário-geral da ONU, tendo sido confirmado pelo Conselho de Segurança como favorito.

A diplomacia portuguesa teve um papel continuado, ao longo do tempo, através de vários governos. Não foi apenas um, nem dois, nem três, já se falava disto há bastante tempo”, assinalou Rui Machete, recordando que, enquanto ministro, apoiou “o que era ainda uma intenção não formulada” de António Guterres.

“Não haveria ministro dos Negócios Estrangeiros, nem haveria nenhum diplomata que recusasse o esforço para apoiar a candidatura do engenheiro Guterres”, sublinhou Machete.

Portugal – destacou – tem “capacidade de diálogo” e isso “facilita as coisas”, reconhece.u “Não temos posições extremistas que criem adversários que sejam virulentos”, acrescentou.

Se Guterres for eleito, terá “muitas coisas a fazer”, antecipou Machete, concretizando os principais desafios na Europa: a ameaça russa e a crise nas relações com a Ucrânia, o extremismo islâmico, o fluxo das migrações e a situação do sistema financeiro.

O Conselho de Segurança anunciou hoje que o português foi o “vencedor claro” da sexta votação, recebendo 13 votos de encorajamento e duas abstenções, uma das quais de um dos cinco membros permanentes com direito de veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar, na quinta-feira, em votação formal, o nome de António Guterres, que seguirá para a Assembleia Geral das Nações Unidas, a quem cabe a última palavra na escolha do sucessor do sul-coreano Ban Ki-moon.

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