A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, definiu esta quarta-feira a eleição de António Guterres à liderança das Nações Unidas como uma vitória pessoal e da diplomacia portuguesa que “honra muito Portugal”.

Após recordar que a votação formal apenas ocorrerá na quinta-feira, a líder dos centristas considerou em declarações aos jornalistas junto ao Planetário da Gulbenkian que “este já é o dia em que podemos dar os parabéns firmes ao engenheiro António Guterres”, antes de destacar o seu empenho pessoal na conquista do cargo de secretário-geral da ONU.

É em primeiro lugar uma vitória dele, pelo seu mérito, pelo seu percurso, pelo trabalho que desenvolveu também na preparação desta candidatura e que a todos também impressionou”, considerou.

Assunção Cristas emitiu ainda uma “palavra de parabéns também para a diplomacia portuguesa que se empenhou e também terá feito certamente a diferença”, extensível às Nações Unidas pelo “processo transparente e público e merecem um elogio por este processo”.

É uma vitória para as Nações Unidas que terão o melhor candidato possível para este cargo. É também algo que honra muito Portugal e que nos permite continuar a afirmar-nos como nação que constrói pontes, que constrói consensos e que procura trabalhar pela paz no mundo”.

A líder do segundo partido da oposição enfatizou ainda um processo de eleição “muito transparente, público desde o início, a dada altura com dúvidas sobre se seria conduzido até ao final desta forma”, e elogiou o triunfo “desta linha da transparência de um processo público com as audições, votações absolutamente claras que todos nós pudemos acompanhar de forma muito entusiasmada”.

Assim, e num dia de “grande alegria” para Portugal, a líder do CDS-PP insistiu no reconhecimento do processo conduzido pelas Nações Unidas, e nas qualidades do futuro secretário-geral da organização.

Obviamente que os maiores parabéns e o maior mérito pertencem sem dúvida ao candidato, engenheiro António Guterres, que mostrou ser o mais bem preparado e o que mais condições reúne para desempenhar um cargo tão importante e estou certa que fará a diferença neste cargo”, concluiu.

"É histórico para Portugal, é a primeira vez que um português terá este lugar tão relevante"

O líder do PSD considerou que a eleição de António Guterres no Conselho de Segurança para secretário-geral das Nações Unidas "é histórico para Portugal", sublinhando o papel que o Governo e a diplomacia portuguesa desempenharam no processo.

É histórico para Portugal, é a primeira vez que um português terá este lugar tão relevante", afirmou o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, no final da cerimónia de condecoração do ex-presidente do Tribunal de Contas Guilherme d'Oliveira Martins, do anterior presidente do Tribunal Constitucional Joaquim Sousa Ribeiro e do histórico dirigente socialista Manuel Alegre.

Sublinhando que se trata de um "resultado de júbilo" para o país, Passos Coelho disse querer "publicamente expressar as congratulações do PSD" ao Governo, "que teve relevância em todo o processo", bem como à diplomacia portuguesa, nomeadamente ao embaixador de Portugal em Nova Iorque, Mendonça e Moura, que esteve "na primeira linha de todo este trabalho da diplomacia portuguesa".

Passos Coelho reiterou ainda que António Guterres era "manifestamente o melhor candidato de todos os que se apresentaram", considerando que "irá encher Portugal de orgulho" nos próximos anos pela forma como irá liderar as Nações Unidas.

Questionado se o surgimento, a meio do processo eleitoral, da candidatura da comissária europeia para Orçamento e Recursos Humanos, Kristalina Georgieva, apoiada por Bulgária e Alemanha, poderá vir a fragilizar as relações entre Portugal, a comissão europeia e a Alemanha, o líder do PSD disse ter a certeza que não.

Passos Coelho, admitiu, contudo, que o facto de ter havido uma candidatura de última hora, ainda por cima de uma pessoa que era vice-presidente da comissão europeia, não foi "um processo nem bonito, nem que deva ficar como uma boa prática para futuro".

Não creio que valha a pena agora ficar a olhar para trás para esse episódio que lamento profundamente que tenha acontecido. Mas, não creio que tenha importância suficiente para afetar as relações entre Portugal e os outros países", argumentou, considerando que, de certa forma, a votação de hoje acabou por ser penalizadora para a própria candidata.

Quanto à possibilidade de Angela Merkel ter ficado "mal vista" nesta situação, Passos Coelho admitiu ter ficado surpreendido com o seu apoio de última hora a outra candidatura.

Registamos aquilo que se passou, mas ainda com mais satisfação o resultado que está em linha com o nosso desejo e portanto, se conseguimos aquilo que desejávamos, não vejo que hoje devamos estar a manifestar qualquer ressabiamento", sustentou.

Passos Coelho foi ainda questionado sobre o apoio do ex-eurodeputado do PSD Mário David a Kristalina Georgieva, mas desvalorizou a questão.

Isso não tem qualquer relevância sinceramente, o doutor Mário David não tem um lugar de representação do PSD que pudesse transformar-se em qualquer embaraço para posição pública do PSD", disse.

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi hoje indicado como favorito para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Conselho de Segurança à Assembleia-geral, que deverá aprovar o seu nome dentro de alguns dias.

O Conselho de Segurança anunciou hoje que o português é o “vencedor claro” da votação, recebendo 13 votos de encorajamento e duas abstenções, uma das quais de um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança com direito de veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar na quinta-feira uma votação formal a indicar o nome de António Guterres para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, formalizando assim a eleição do sucessor de Ban Ki-moon.

O novo secretário-geral da organização substitui Ban Ki-Moon e entra em funções a 01 de janeiro de 2017.

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A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) sublinhou que as Nações Unidas mostraram-se imunes a "manobras mais ou menos estranhas" na eleição do seu líder, elogiando a candidatura de António Guterres, hoje indicado como favorito para secretário-geral da entidade.

É uma boa notícia, uma notícia que nos deve alegrar", vincou Catarina Martins, questionada em Lisboa, num comício do Bloco a propósito do 5 de Outubro, sobre a indicação de Guterres como favorito para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

E prosseguiu: "É uma boa notícia desde logo para as Nações Unidas, que conseguiram mostrar que são imunes a manobras mais ou menos estranhas", disse, numa alusão à candidatura da búlgara Kristalina Georgieva, surgida à última hora.

"Mais importante" que a nacionalidade de Guterres, sublinhou a bloquista Catarina Martins, "é que seja a opção indicada para o cargo", o que sucede, e o antigo primeiro-ministro português é um bom nome no reforço da "paz, cooperação e desenvolvimento" que as Nações Unidas promovem.

Comunistas consideram necessário contrariar a “linha de instrumentalização” da ONU

O PCP considerou que foi dado “um passo importante e quase decisivo” para a eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU e defendeu ser necessário contrariar a “linha de instrumentalização” das Nações Unidas que tem sido seguida.

Aquilo que neste momento poderemos dizer é que foi dado um passo importante e quase decisivo para a eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas”, afirmou à Lusa Ângelo Alves, membro da Comissão Política do PCP.

O responsável, que referiu que “o PCP fará uma declaração mais elaborada sobre esta questão no momento certo, após a conclusão do processo de indigitação do secretário-geral das Nações Unidas”, sublinhou ainda que “um bom secretário-geral das Nações Unidas deve primar o seu mandato e a sua ação no respeito pelos princípios na carta das Nações Unidas, pela defesa do direito internacional e dos direitos dos povos e dos estados membros”.

Os desafios que se colocam ao novo secretário-geral da ONU são imensos, num momento em que o mundo atravessa tensões muito grandes e em que um conjunto de acontecimentos de facto relevam da importância da defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas e da não instrumentalização da ONU para fins que não são os daquela organização”, referiu.

Ângelo Alves defendeu ainda que o novo secretário-geral deve “tentar contrariar aquilo que tem sido, infelizmente, uma linha de instrumentalização da ONU, nomeadamente pelas maiores potências ocidentais e, nomeadamente, as potências da NATO”.