O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assina um artigo, na revista Visão,em que classifica António Guterres como “o melhor” candidato para liderar a ONU e admite que, se quiser, poderá ser chefe de Estado.

Num artigo de opinião intitulado “Melhor entre os melhores”, Marcelo Rebelo de Sousa não poupa elogios ao seu amigo e ex-primeiro-ministro socialista, considerando-o o “mais completo e preparado” para o cargo de secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Depois de recordar o percurso político e profissional de Guterres, o chefe de Estado conclui: “Somemos estes e muitos outros fatores e teremos um candidato, sem desprimor para os demais, de muito longe mais completo e preparado, como pessoa, como líder social, como político para um lugar que exige visão, experiência, capacidade de intermediação e sentido de causa universal”.

“Ele foi, vi-o logo nos seus vinte e poucos anos, o melhor de todos nós”, acrescenta.

Marcelo lembra que Guterres, se tivesse querido, ou se ainda quiser no futuro, poderia ser Presidente da República.

“Poderia ter sido, porventura, se o tivesse querido, ou poderia sê-lo, ainda no futuro, o Presidente de Portugal. Querendo ser Secretário-Geral das Nações Unidas, é justíssimo que o seja. Além do mais, ficaríamos todos com a noção reconfortante de que fora eleito efetivamente o melhor”, escreve no artigo publicado na Visão desta quinta-feira. 

Marcelo Rebelo de Sousa lembra o percurso de Guterres como líder associativo, o seu lado humano, referindo que este preferia a política social à política pura, para a qual “amiúde, não tinha muita paciência, incomodando-se com os rodriguinhos, as suscetibilidades, os estados de alma pessoais”.

No artigo, o chefe de Estado recorda também “o líder associativo nato, entusiasta, mobilizador, cheio de vida”, mas também o “homem de causas” com o seu “cristianismo progressivo e ecuménico” que o “abria para o mundo”, de acordo com a transcrição da Lusa.

O Presidente da República frisa ainda que o ex-primeiro-ministro percorreu um caminho “sempre feito no terreno, e não em gabinetes, quer cá dentro, quer lá fora”, salientando que este viveu por dentro o que são as Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro português ficou à frente na terceira votação que ocorreu segunda-feira entre os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Entre os dez candidatos ao cargo, metade são mulheres, sendo que até que um resultado seja consensual, o Conselho de Segurança vai continuar a realizar votações informais sobre os candidatos.

Após este processo, o conselho irá então recomendar um nome para que depois seja aprovado pela Assembleia-Geral da ONU, com representantes de 193 países.

Ban Ki-moon, atual secretário-geral da organização, termina o seu segundo mandato no final do ano.