O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português António Martins da Cruz afirmou que a eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas, esta quarta-feira, é "uma excelente notícia" para a ONU, para o próprio eleito e para Portugal.

Numa reação recolhida pela Lusa por telefone, o diplomata defendeu também que o ex-primeiro-ministro português fará "um contraste perfeito" com o atual secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que considerou "uma pessoa com um perfil baixo".

O seu sucessor, pelo contrário, será "seguramente um secretário-geral assertivo, um secretário-geral que tem o dom da palavra, que vai aparecer nos media internacionais, o que vai ser obviamente muito positivo para as Nações Unidas e para o engenheiro António Guterres".

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi hoje indicado como favorito para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Conselho de Segurança à Assembleia-geral, que deverá aprovar o seu nome dentro de alguns dias.

O Conselho de Segurança anunciou hoje que o português é o “vencedor claro” da votação, recebendo 13 votos de encorajamento (em 15 votos), sem qualquer veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá formalizar na quinta-feira o nome de António Guterres para a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Para Martins da Cruz esta é "uma excelente notícia para as Nações Unidas porque, pela primeira vez na eleição de um secretário-geral se seguiu um método transparente (...), evitando-se trapalhadas que tinham acontecido" em eleições anteriores.

Provou também, defendeu o ex-ministro num Governo PSD/CDS-PP, que "candidatos de última hora não conseguiam ultrapassar o processo que tinha sido decidido".

"É uma excelente notícia para o próprio engenheiro António Guterres, que merece todas as nossas felicitações", acrescentou Martins da Cruz.

Que ele é um excelente candidato nós já sabíamos, mas que o tenham dito e que o tenham elegido os 15 membros do Conselho de Segurança e sobretudo os cinco membros permanentes com direito de veto é muito significativo", afirmou.

O diplomata considerou ainda que a eleição é uma excelente notícia para Portugal, porque faz aumentar "a visibilidade internacional positiva" do país.

A eleição tem um efeito colateral positivo para a diplomacia, para a política externa portuguesa e para a posição de Portugal no mundo", disse.

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