O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou, nesta terça-feira, que o antigo primeiro-ministro socialista António Guterres "preenche todos os critérios" elencados pelas Nações Unidas para o cargo de secretário-geral, cuja candidatura o Governo entregará "quando for oportuno".

Numa audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades, o chefe da diplomacia portuguesa afirmou que, na carta dirigida a todos os membros da Organização das Nações Unidas a convidar à apresentação de candidaturas, "não está escrito em lado nenhum a regra segundo a qual o próximo secretário-geral das Nações Unidas deve ser uma mulher proveniente da Europa de Leste".

O ministro fora questionado pelo deputado socialista Paulo Pisco sobre a candidatura de Guterres ao cargo, quando se fala que o sucessor de Ban Ki-moon deverá ser uma mulher originária da Europa de Leste.

"Se isso estivesse escrito, evidentemente não faria nenhum sentido apresentar a candidatura", realçou Santos Silva.

Pelo contrário, salientou, António Guterres cumpre todos os requisitos elencados pelas Nações Unidas, nomeadamente "experiência política, ligação aos valores e princípios das Nações Unidas, competência multilinguística, experiência diplomática e diversidade regional".

Santos Silva destacou que o Mundo vive hoje tempos que "exigem uma pessoa à altura".

"Os tempos exigentíssimos que vivemos, em que a questão humanitária, da paz, do desenvolvimento, da cooperação para o desenvolvimento, dos refugiados e deslocados forçados interpelam tão fortemente os alicerces mesmos das Nações Unidas, [sentimos] que estes tempos exigem uma pessoa à altura. E, do nosso modesto ponto de vista, essa pessoa é o engenheiro António Guterres, é por isso que nós propomos a sua candidatura", afirmou.

Sobre o processo da candidatura, o chefe da diplomacia explicou que é o Governo que a propõe, mediante uma resposta, que será enviada "quando for oportuno", à carta que foi dirigida a Portugal, tal como a todos os países membros das Nações Unidas, pelo presidente da Assembleia Geral e pelo presidente do Conselho de Segurança da ONU.

"Registo, sem surpresa, mas com muita honra, que [a candidatura] suscitou o apoio unânime dos órgãos de soberania e dos partidos", indicou.
 

"Inequívoco apoio" do PSD


A Comissão Permanente do PSD declarou hoje "inequívoco apoio" à candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, referindo que Pedro Passos Coelho já transmitiu esta posição ao próprio e ao primeiro-ministro.

"A Comissão Permanente do PSD junta ao seu apoio, já pessoalmente transmitido pelo seu presidente, doutor Pedro Passos Coelho, quer ao próprio engenheiro António Guterres quer ao Governo português na pessoa do senhor primeiro-ministro doutor António Costa, votos de sucesso para a candidatura e desejos de que a comunidade internacional possa reconhecer o seu valor", consta numa nota enviada à agência Lusa.

Segundo a mesma nota, "tendo tomado conhecimento da intenção do engenheiro António Guterres se candidatar ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas, a Comissão Permanente do PSD deliberou apresentar publicamente o inequívoco apoio à sua candidatura".

O órgão de direção nacional mais restrito do PSD menciona que António Guterres foi primeiro-ministro de Portugal e elogia o seu trabalho como Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), considerando que "acumulou uma experiência ímpar em termos internacionais" nessas funções.

"De facto, é reconhecido internacionalmente como tendo sido um dos mais competentes e efetivos líderes do ACNUR, onde desenvolveu um trabalho permanente de apoio humanitário e de antecipação e sensibilização para os fenómenos causadores de migrações em todo o mundo", acrescentam os sociais-democratas.