O Bloco de Esquerda (BE) manifestou esta quinta-feira apoio à candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas (ONU), e este declarou-se "muito sensibilizado" com o apoio dos bloquistas.

"Estou naturalmente muito sensibilizado e muito reconhecido por este apoio e pelo apoio de outras forças políticas portuguesas", declarou Guterres, que falava aos jornalistas no final de uma reunião de mais de uma hora no parlamento com a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, e o deputado bloquista e vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza.

Guterres diz que ouviu "com o maior interesse" as "posições e preocupações" do Bloco, e realçou que "se há matéria" em que Portugal tem estado unido diz respeito à não utilização de "discursos xenófobos ou racistas".

"As forças políticas, todas elas, têm reconhecido a importância de, na Europa e no mundo, sermos sociedades multiétnicas, multirreligiosas, multiculturais", advogou o antigo primeiro-ministro do PS e ex-Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Guterres revelou ainda que esteve esta manhã reunido com o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, com quem manteve um diálogo "muito importante e muito interessante".

"Acho que todas as forças políticas são muito importantes para discutir o futuro do mundo, que vive neste momento convulsões muito dramáticas", assinalou, remetendo para os comunistas a indicação se apoiam ou não formalmente a sua candidatura a secretário-geral da ONU.

Pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins descreveu a candidatura de Guterres como "forte", e o mandato do antigo chefe de Governo do PS à frente do ACNUR como "muito positivo".

"As questões dos direitos humanos, das respostas às populações em fuga (…) são questões centrais em todas as decisões que tivermos de fazer nos próximos tempos, e consideramos que esta é uma candidatura importante e por isso a apoiamos", declarou a porta-voz do BE.

O Governo português anunciou em janeiro a apresentação da candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas, destacando a sua "longa experiência política" e "a forma exemplar" como exerceu cargos internacionais.

Também o PSD já demonstrou apoio à candidatura do antigo primeiro-ministro socialista, e também Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, já declarou que Guterres "tem qualidades mais do que suficientes" para o cargo.

António Guterres concorre juntamente com a diretora da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a búlgara Irina Georgieva Bokova, a ministra dos Negócios Estrangeiros croata, Vesna Pusic, e o ex-presidente da Assembleia-Geral da ONU Srgjan Kerim, da Croácia.

O próximo secretário-geral da ONU assumirá funções a 01 de janeiro de 2017, substituindo o sul-coreano Ban Ki-moon, que cumpriu dois mandatos de cinco anos.