O Presidente da República português insiste que António Guterres “é o melhor para o cargo” de secretário-geral da ONU pela “capacidade e visão” enquanto Durão Barroso classifica a escolha do português como uma “distinção” para o país.

Marcelo Rebelo de Sousa salienta, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no Diário de Notícias, que “é bom quando ganham os melhores".

“Vencer na cena internacional é extremamente complexo, tal a junção de razões conjunturais e estruturais, ainda por cima num mundo mais imprevisível do que nunca. Mesmo para os melhores. Mas quando os melhores ganham é bom, é muito bom. Foi o que aconteceu neste caso. António Guterres era e é, claramente, o melhor para o cargo”, sublinha o chefe de Estado português.

Marcelo Rebelo de Sousa frisa que António Guterres ganhou “pelas suas qualidades pessoais, pelo seu currículo na própria ONU, pela capacidade de visão e de equação dos principais problemas universais”.

O Presidente da República destaca também o apoio “de um esforço singular de unidade nacional, de uma solidariedade institucional absoluta, de uma diplomacia que teve no primeiro-ministro e, em especial, no ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros um papel estratégico crucial, de uma equipa notável e de um protagonista de exceção, que foi o representante de Portugal na ONU, embaixador Álvaro de Mendonça e Moura e da voz prestigiada do Presidente Jorge Sampaio”.

Também o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso felicita António Guterres, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no jornal Público, considerando ser “uma grande e merecida honra para ele” e “para o país”.

Durão Barroso refere que apoiou a candidatura de António Guterres desde o início, “não apenas por um sentimento patriótico, mas porque sabia” que este “desempenharia o cargo com grande competência e dedicação”.

“O secretário-geral da ONU é inevitavelmente uma das mais importantes posições da vida pública internacional. Para além das funções executivas, o cargo permite grande visibilidade e confere enorme projeção política e diplomática ao seu detentor”, escreve.

O ex-presidente da Comissão Europeia declara também “que a autoridade do cargo depende em larga medida do modo como ele for exercido”.

Também o ex-Presidente da República Jorge Sampaio enaltece a vitória de António Guterres num artigo de opinião publicado também esta quinta-feira no Público, destacando que a escolha ocorreu no dia em que se comemorava a implantação da República.

Jorge Sampaio salienta que o mandato de António Guterres “terá lugar num tempo extremamente complexo, marcado por uma imperiosa necessidade de pacificar as relações entre os povos, pôr fim a violentos conflitos que grassam em várias regiões do mundo e assegurar a construção de um mundo mais igual, marcado pela afirmação dos direitos, da justiça e pelo desenvolvimento sustentável”.

O ex-primeiro-ministro português António Guterres foi o mais votado na quarta-feira no Conselho de Segurança das Nações Unidas para secretário-geral da ONU, uma votação que uniu a classe política no elogio à sua escolha.

Depois de uma hora e meia de encontro, pela primeira vez na história da organização os 15 embaixadores dos países com assento no Conselho de Segurança falaram aos jornalistas para anunciar o nome do português que recolheu 13 votos de encorajamento e duas abstenções.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar hoje uma votação formal a indicar o nome de António Guterres para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, formalizando assim a eleição do sucessor de Ban Ki-moon.