O PS acusou esta segunda-feira o Governo de «insensibilidade social» e de «incapacidade» em perceber que atrás de «cada corte cego na proteção social» há um cidadão a precisar de um Estado que combate as desigualdades sociais.

«Infelizmente é cada vez mais evidente que o Governo PSD/CDS que passou boa parte dos últimos três anos a dividir os portugueses, continua apostado em abandonar parte dos portugueses e parte do território nacional», assinalou António Galamba, do Secretariado Nacional do partido, em conferência de imprensa na sede do PS, em Lisboa.

Num momento em que os indicadores da economia «continuam a sublinhar que a euforia do Governo, em torno por exemplo das exportações, não é sólida nem sustentável», PSD e CDS «continuam a cortar nas prestações sociais e nos apoios aos que mais precisam», alertou António Galamba, recorrendo a dados revelados esta quarta-feira.

«Os números não enganam: os cortes nos apoios sociais atingem cada vez mais pessoas, incluindo as mais frágeis, sendo cada vez mais evidente que há uma parte do país que está a ficar para trás», advogou o dirigente socialista.

O membro do Secretariado Nacional elencou áreas como o rendimento social de inserção, o abono de família ou o complemento solidário para idosos como prestações onde tem havido cortes em parte por «opção política».

«Não venha o Governo invocar regras mais transparentes porque a verdade é que por opção política o Governo decidiu reduzir o montante a atribuir a estes idosos mais pobres», disse Galamba, referindo-se ao caso do complemento solidário para idosos.

«Todos estes cortes são bem a medida da insensibilidade social do Governo, da incapacidade para perceber que por detrás de cada corte cego na proteção social, na saúde ou na educação há uma pessoa que precisa de um Estado que, com rigor nas contas públicas, combate as desigualdades sociais, contrarie as assimetrias regionais e não desista de ninguém nem de nenhuma parte do país», prosseguiu o socialista.

O PS, reforçou ainda, tem feito «várias propostas» dizendo «que devia haver outro caminho» que não o da «estratégia de empobrecimento» do Governo.

«Para o PS, o país nunca estará melhor quando, no atual contexto económico e social, 17% dos idosos perdem o complemento solidário, 25% dos beneficiários perdem o rendimento solidário de inserção, há mais 3,2% de crianças e jovens que perdem o abono de família e, em números divulgados hoje, há 412 mil portugueses no desemprego sem qualquer tipo de apoio», frisou também António Galamba.