O dirigente socialista António Galamba advertiu, nesta segunda-feira, que aquilo que alguns dirigentes do PS consideram como sendo um "momento histórico", o acordo à esquerda, poderá ser antes um erro "trágico" para o futuro do PS.

Esta posição faz parte da declaração de voto de António Galamba, que foi um dos cinco membros da Comissão Política do PS que votou contra o acordo político com o PCP, Bloco de Esquerda e "os Verdes" para a formação de um Governo socialista.

"Votei contra as propostas de apresentação de uma moção de rejeição e de mandato ao secretário-geral do PS [António Costa] para concretizar os acordos com o Bloco de Esquerda, o PCP e os Verdes com vista à concretização de um Governo em que estes não participam", disse o membro das direções lideradas por António José Seguro.

Além de invocar a derrota eleitoral do PS para contestar a formação desse Governo de esquerda - e de entender que, "em coerência" o seu partido deveria ser oposição -, António Galamba defendeu que o acordo à esquerda "fragiliza o PS junto do eleitorado do centro - um eleitorado moderado que não compreende como é possível um compromisso de governação assente na desconstrução, em que ficam de fora as questões relacionadas com as questões europeias, a zona euro e a NATO".

"Sem que tenham sido apresentados, distribuídos e avaliados os documentos que suportam os compromissos do BE, do PCP e de Os Verdes com um governo do PS, por quanto tempo concreto vigorarão esses compromissos e como serão superadas as estrondosas omissões, os órgãos competentes do PS decidiram por maioria este caminho. Como sempre disse, o que uns apelidam de histórico considero que pode ser trágico para o futuro do PS", antecipou António Galamba.