O primeiro-ministro não tem dúvidas de que o país vai ter mais incêndios de grande dimensão por causa dos problemas que existem na floresta portuguesa. Em declarações aos jornalistas na sede da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), em Carnaxide, esta quarta-feira, António Costa aproveitou para deixar críticas ao "aproveitamento político destas tragédias", considerando "lamentável" o que aconteceu com a lista de mortos de Pedrógão Grande.

Voltamos a ter estes incêndios e vamos ter seguramente mais incêndios desta dimensão", frisou António Costa.

O chefe do Governo esteve esta quarta-feira reunido com os responsáveis da ANPC, numa altura em que grandes incêndios lavram com violência no país, sendo o fogo que deflagrou na Sertã, no domingo, o que mais preocupa os bombeiros. De resto, num balanço feito às 19:00, a Proteção Civil indicou que já contabilizou 12 feridos devido às chamas. 

Questionado sobre o que tem falhado para continuarem a existir fogos de grande dimensão, depois da tragédia de Pedrógão Grande, que fez 64 mortos, Costa apontou os problemas que existem na floresta portuguesa e garantiu que "não há dispositivo nenhum" que consiga travar as chamas quando há "condições adversas" e "comportamentos meteorológicos anómalos". 

Por isso, salientou que todos os cidadãos devem ter cuidados acrescidos com os "comportamentos que podem desencadear estas situações".

Num ano de seca como este, os riscos são maiores. (...) Temos de ter a noção de que vai voltar a acontecer e todos temos a obrigação de ter cuidados acrescidos em relação aos comportamentos que podem desencadear estas situações", acrescentou.

E depois de destacar o esforço dos bombeiros que têm combatido as chamas, em todo o país, o primeiro-ministro aproveitou para criticar as "discussões laterais" e as "tentativas de aproveitamento político destas tragédias", que contribuem para a "desmoralização" dos operacionais que estão no terreno. 

"Estamos a discutir vidas humanas, residências de populações, um valor imenso para o país que é a nossa floresta", destacou.

Questionado sobre o assunto, Costa considerou "lamentável" o que aconteceu esta semana "em termos de especulação e de aproveitamento político", referindo-se à lista de mortos de Pedrógão Grande. 

A polémica surge quando resolveram especular e acusar o Governo de estar a querer esconder o número de vítimas, o que seria aliás a acusação mais parva que eu já vi. Como disse o Presidente da República, só numa ditadura era possível o número de vítimas", afirmou.


"Em vez de andarmos a especular com fontes não confirmadas e com listas com várias incorrecções, devemos confiar nas instituições técnicas do Estado. O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses é um instituto público acima de qualquer suspeita, de grande credibilidade técnica e científica a nível internacional e não é possível estarmos a pôr em causa a sua credibilidade, com a leviandade com que andamos a pôr, esta semana", concluiu.

A Procuradoria-Geral da República divulgou esta terça-feira, em comunicado, a lista dos mortos de Pedrógão Grande, confirmando a existência de 64 vítimas mortais, o número oficial que o Governo já tinha anunciado.

A lista de mortos resultantes da tragédia estava em segredo de justiça, mas foi exigida ao Executivo pela direita, depois de uma empresária ter alegado que tinha uma lista com 73 vítimas mortais