Conversavam um com o outro. Era irresistível perguntar o porquê do eventual presente.  

"Queríamos oferecer um chocalhinho ao nosso primeiro-ministro Passos Coelho. Pá, porque acho que lhe fica bem", ironizou José. "Tem o nome de coelhinho também", reforçou a mulher. 

São de Teixoso, na Covilhã, e vieram porque o presidente da câmara disse que a caravana socialista viria até aqui. 

Ela espere que o país fique melhor se Costa vencer, mas não mostra grande entusiasmo:

"Da maneira que está o país é um bocadinho difícil. Porquê Costa? Não sei explicar bem. Gosto do António Costa. Parece ser uma pessoa sincera. Vamos ver se não falha. Ao fim e ao cabo dizem que são todos iguais"

O marido acha que o líder do PS tem estudos e "fez estudos com os economistas". Será uma prova, diz, que "está no bom caminho". 

Arruada acima pelas ruas em paralelos do Fundão, com tasquinhas a vender filhós de comer e chorar por mais, uma ginginha aqui e ali - que Costa também provou -, surgia um cheiro a queijo e novos encontros.

  

Desta vez foi o casal que se meteu connosco. Voltámos à conversa sobre o chocalhinho de Passos Coelho.  

"Como a gente não está contente, eu ofereceria logo o chocalho ao Passos Coelho. Não era que merecesse, mas pronto. Eram menos 10 euros que ficava"

Menos 10 euros numa reforma de 500 ele, de 300 ela, que desabafa: "Consigo viver porque tenho uma hortinha. Era eles viverem com este dinheiro para verem quanto custa a vida".

José diz que as reformas são ao sabor da conveniência. "Aquele, o senhor Relvas... Não interessa ser doutor, tem uma reforma de 14.500 euros. A ele não lhe interessa, 14.500 euros já cá cantam".