Entre Alvalade e Queluz, as duas primeiras paragens deste sábado, António Costa não escapou ao confronto da população a propósito das sondagens, nem dos jornalistas. Sobre isso e sobre o facto de ter admitido inviabilizar o próximo Orçamento do Estado, caso a coligação Portugal à Frente vença as legislativas. "Ultimato? Por amor de Deus", respondeu.

Na Avenida da Igreja, encontrou uma conhecida num café, que o lembrou quem era. Costa reconheceu-a e ela logo apontou para a manchete do Expresso ("Cavaco dará posse a quem tiver mais mandatos") que tinha à sua frente: "Isto está complicado", disse olhando nos olhos o líder socialista, que apoia.

Costa respondeu que é preciso trabalhar: "Vamos ver os resultados", acrescentou sorridente. 

Mais à frente, rejeitou aos jornalistas estar a criar instabililidade ao admitir inviabilizar um Orçamento que ainda não conhece. Tentou virar a questão a seu favor, relativizando: "O Orçamento que vai a votos é o do PS". Em Queluz, alongou-se mais:
 

"Por amor de Deus, não há ultimato nenhum. O que as sondagens dizem e o que as pessoas nos dizem na rua é que querem uma mudança política. As pessoas não suportam mais. Tenho a certeza que o orçamento que apresentarei será aprovado. Tenho bem noção que os portugueses a última coisa que querem é instabilidade, a última coisa que querem é entrar em aventuras"



Costa disse ainda que o PS "sempre foi um partido moderado, e nunca esteve numa lógica confrontacional". Antes, já tinha insistido que "a última coisa que o país precisa é de querelas constitucionais". Mas a direita, diz, não lhe dá outra escolha.

"Vivemos hoje uma situação diferente: coligação de direita afastou-se muito de valores, pessoas não se revêem
no radicalismo ideológico da direita. Aquilo que nós batemos é por uma maioria que pode assegurar a estabilidade do país e o país necessita disso". 

Em Queluz, um apoiante de bandeira na mão e autocolante "Eu confio" - o slogan socialista - no peito, defendeu que é preciso ganhar por mais votos do que aqueles que as sondagens indicam. "Ele está em necessidade".