O líder do PS diz que há uma "enorme distância" entre o que o Governo e o primeiro-ministro dizem, na Assembleia da República, e a realidade da vida das pessoas. António Costa acusa Passos Coelho de viver num país imaginário e que lida mal com a "verdade".

"Ainda na sexta-feira passada, o primeiro-ministro se permitiu dizer, com enorme à vontade que as pessoas de mais baixo rendimento não tinham tido cortes e sofrido cortes por parte deste governo, mas aquilo que todos sabemos é que a dificuldade do primeiro-ministro com a verdade"


António Costa continuou a adjetivar o comportamento de Passos Coelho e do seu executivo, dizendo que o chefe de Governo tem "profundo desprezo" e "absoluta indiferença" pela realidade concreta da vida das pessoas "que batem à porta das juntas, batem à porta das câmaras, porque não têm o dinheiro que precisam de ter para pagar a conta da farmácia, a conta da casa, manter o filho a estudar em Lisboa", exemplificou.

"Vemos bem a enorme distância que vai entre este poder que está próximo das pessoas e o poder que está distante e fala na Assembleia da República, a forma como primeiro-ministro fala sobre a realidade do país como se fosse a que ele imagina que é e não aquela que infelizmente os portugueses vivem no dia-a-dia", disse em Quarteira, no Algarve, arrancando aplausos da plateia. 

Voltou, ainda, ao tema da emigração, cujos números dos últimos quatro anos têm desencadeado uma troca de acusações entre socialistas e membros do Governo. Insistiu no "enorme à vontade" com que o primeiro-ministro disse que a emigração em Portugal tinha subido menos do que na Espanha e na Irlanda. "Desde logo, não é verdade. Na Irlanda só subiu 7%, na Espanha 32% e em Portugal subiu 126%", repetiu

E, "mesmo que fosse verdade aquilo que o PM diz o importante não são os números, o que é importante é a realidade concreta da vida. O que é importante são as famílias", considerou. 


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