Com vista para o Tejo e à procura de um horizonte. Quer os cerca de 170 artistas que almoçaram, em Lisboa, com António Costa, porque querem ver na Cultura uma prioridade para o país. Quer o próprio líder do PS, de olho no horizonte da maioria para governar, contando com o apoio destas personalidades para passar a mensagem.

Nesta última semana antes das eleições, Costa reforça a necessidade de angariar mais votos. Os artistas que foram ao almoço já estão com ele: "Uns porque escolheriam sempre votar no PS, outros pelas circunstâncias, outros por mim. Sou sincero, respeito a liberdade da motivação também", gracejou, arrancando risos entre os presentes.  Mas é preciso, admitiu, esclarecer os indecisos.

"Peço-vos ao longo da semana, para junto daqueles que encontrem, também esclarecer e deixar muito claro. Talvez seja um problema pouco criativo, mas é muito claro na matemática: para governo mudar, são necessárias duas coisas que a coligação perca e que o PS ganhe. Isto é absolutamente essencial. E já agora, sejam amigos, que ganhe com condições para poder governar"


O PS já propõe no seu programa eleitoral a criação de um Ministério da Cultura e a artista plástica Joana Vasconcelos, bem como a viúva de José Samarago, Pilar del Rio, reforçaram essa necessidade: um ministério, um ministro, um orçamento. 

"Nunca vi artes em tanto perigo. Sem maior investimento, não vamos resistir. Nós, a cultura, somos identidade número um de um país", advertiu ainda Joana Vasconcelos. 

Já Pilar del Rio defendeu que "o fator humano nestas eleições chama-se António Costa". Por razões políticas, morais e de bom senso, assinalou, acrescentando: "Pelo respeito que os agentes da cultura merecem, vamos a ter um governo de esquerdas em Portugal". 

Governo de Cultura contra o país dos "coitadinhos"

António Costa concordou que o Ministério da Cultura "é essencial". E foi mais longe no objetivo: "Mas mais importante do que um ministério, é termos um Governo de Cultura, porque o país tem estado consumido nos últimos anos a discutir percentagens, taxas, questões económicas e financeiras".  "Um país é antes de mais uma ideia de si próprio", argumentou. 

O candidato a primeiro-ministro assinalou a importância de estimular a criatividade desde tenra idade, para que possa haver cultura e ciência. "E para que possa haver educação". Tudo interligado. Daí ter condenado o desinvestimento do Governo, nomeadamente no Ensino Artístico.  

"Mais grave do que o Governo fez, para além dos danos que causou, foi destruir a autoestima do país. É pôr de parte aquele espaço de liberdade que devemos ter para sonhar, imaginar, criar, ir mais além .... Não desenvolver criatividade das crianças é estar a comprometer futuras gerações. É por isso que nestas eleições é tão importante o que está em causa", advertiu. 

O líder do PS fez ainda referência aos baixos salários e à precariedade no setor, para dizer que "o que está em causa é dar de novo aos portugueses a convicção que não temos de ser pobrezinhos, os coitadinhos, aquele pequeno país periférico na Europa". 

O Estado e ao Governo, defendeu, têm "a obrigação do estado permitir para criar oportunidades para que todos possam ter gosto pela Cultura".  E que ela seja acessível. 

Lembrou, também, a capacidade de mobilização que teve na câmara de Lisboa, mesmo com a "situação catastrófica" inicial, governando sem maioria. "Guardo com muito orgulho essa experiência que quero repetir agora numa autarquia um bocadinho maior que é o país". 

Recorde-se que, há pouco mais de um ano, 600 personalidades assinaram um manifesto a apoiar António Costa.

Na altura, esses apoiantes consideraram que o na altura presidente da câmara de Lisboa, que viria a disputar depois o ludar de secretário-geral com António José Seguro, «provou ter a integridade, a inteligência, a autenticidade, o dinamismo, a convicção e a responsabilidade que o tornam uma referência para todos os que não se resignam a viver num país humilhado e acreditam que é possível restituir a dignidade a Portugal e mobilizar os portugueses para a esperança no futuro».  

Hoje, entre as personalidades presentes no almoço, estiveram atores como Diogo Infante, Paulo Pires, Maria  do Céu Guerra e Vítor de Sousa. Jornalistas como Maria Elisa e Eládio Clímaco. Entre os músicos, João Gil, André Sardet, Vitorino d’Almeida, Gisela João e Camané. Artistas como Joana Vasconcelos e Júlio Pomar.  Entre os escritores, Alice Vieira e José Jorge Letria. Entre os cineastas, António Pedro Vasconcelos e Joaquim Leitão.

Às 15:00, o líder do PS despediu-se dos presentes. Hora de apanhar o avião para os Açores, onde terá um comício ao cair da noite.

"Como diria o Raul Solnado se estivesse aqui, façam o favor de ser felizes. Eu darei o meu contributo para voltarem a ser felizes!"

O líder do PS regressa a Lisboa amanhã, terça-feira e a campanha continua pelo país até sexta-feira à noite, com viagens planeadas ainda ao Norte do país. E com o encerramento em Almada, o último comício.