O candidato às eleições primárias do PS António Costa disse hoje que continuará a não fazer «ataques pessoais» na campanha e diz que o seu adversário, António José Seguro, «já se convenceu» que não permanecerá líder do partido.

«Creio que António José Seguro tem optado por uma estratégia diferente porque no fundo, no fundo, já se convenceu que, como não vai ser secretário-geral, não tem que assegurar a unidade. Essa é a única explicação para fazer esta campanha tão infeliz, tão assente no ataque pessoal, tão assente na divisão de socialistas uns contra os outros», declarou António Costa.

O candidato às primárias socialistas falava com os jornalistas à margem da sessão de encerramento do XVI Congresso da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.

A pouco mais de uma semana das primárias do PS, marcadas para domingo, 28 de setembro, Costa diz que manterá o seu registo até final da campanha.

«Farei a campanha que tenho feito até agora. Não faço ataques pessoais nem respondo a ataques pessoais», sublinhou.

Questionado sobre a notícia de hoje do semanário Expresso acerca de um possível corte da sobretaxa do IRS no próximo ano, Costa diz que não quer comentar «fugas de informação» não confirmadas, mas deixa o alerta: «Já todos percebemos certamente que o Governo vai tentar acompanhar este ano eleitoral de boas notícias».

O candidato a primeiro-ministro pelo PS reiterou ainda a necessidade de «devolver competitividade à economia portuguesa com uma estratégia de longo prazo» aliada a um «programa de recuperação económica» que enfrente os «problemas estruturais por resolver» no país.

Antes de falar com os jornalistas, António Costa interveio na sessão de encerramento do congresso da FAUL, num discurso de menos de dez minutos focado essencialmente nos desafios futuros para a área urbana de Lisboa.

O autarca de Lisboa alertou para o «maior nível de centralismo» de sempre que terá o próximo quadro comunitário no que diz respeito aos apoios para a capital.

«Aquilo que hoje já conhecemos do próximo programa operacional para a região de Lisboa é algo que nos deve preocupar bastante», declarou.

Sobre o quadro comunitário 2014-2020, Costa advertiu para o «nível de cofinanciamento muito exigente» do mesmo e advogou que o mesmo penaliza a «dinâmica regional» e o «envolvimento das autarquias».

«Dos 800 milhões [de euros] alocados ao programa só cerca de 10% serão acessíveis aos municípios e todo o resto será gerido diretamente pelo Governo, através da CCDR [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional], o que é o maior nível de centralismo alguma vez introduzido na gestão dos fundos comunitários penalizando fortemente a sua dinâmica regional e o envolvimento das autarquias no desenvolvimento regional», sublinhou.