O secretário-geral do PS, António Costa, escusou-se esta segunda-feira, em Berlim, a falar sobre um eventual apoio do partido a Sampaio da Nóvoa nas próximas eleições presidenciais, sublinhando que o foco está «obviamente» nas eleições legislativas, noticia a Lusa.

À saída de um encontro com o líder do partido social-democrata alemão (SPD), Sigmar Gabriel, que é também vice-chanceler da Alemanha com a pasta da Economia, Costa escusou-se a «fazer comentários sobre essa matéria» do candidato que o PS apoiará a Belém, até porque o assunto que tem abordado nas suas deslocações a capitais europeias é a «estratégia para reforçar a economia portuguesa» e o programa que o PS apresentará com vista às eleições legislativas.

«Cada coisa a seu tempo. O nosso foco obviamente é nas legislativas e responder aos problemas do país, que são muitos (…). Estamos focados nas eleições legislativas, e é aí que vamos continuar», disse.

O secretário-geral do PS, António Costa, esteve esta segunda-feira em Berlim, na Alemanha, para um encontro com o líder do SPD, em Berlim, para construir as «alianças necessárias» ao nível europeu para que o programa do partido seja efetivamente «exequível».

«Estou convencido de que, desenvolvendo estes contactos no seio da família socialista, vamos criando condições para poder ter uma rede alargada que suporte uma mudança que é necessária como alternativa a este caminho de austeridade que tem paralisado o crescimento» e feito crescer o desemprego, afirmou, à saída de um encontro com o líder do partido social-democrata alemão (SPD), Sigmar Gabriel, que é também vice-chanceler da Alemanha com a pasta da Economia.

Referindo que o PS partilha «muitos pontos de vista» com o SPD, António Costa, que antes da visita de hoje a Berlim já participou em encontros de chefes de Estado e de Governo do Partido Socialista Europeu em Bruxelas, tendo também sido recebido pelo presidente francês, François Hollande, em Paris, e pelo chefe de Governo de Itália, Matteo Renzi, em Roma, realçou a importância de uma “aliança” com as outras forças socialistas europeias.

«O que é importante é que ao nível europeu vamos construindo as alianças necessárias, as parcerias necessárias para que possamos ter um programa que seja credível, que seja exequível», e que tem como «objetivo fundamental dar um novo impulso para a convergência», pois é necessário o país «retomar esse caminho» de crescimento sólido e aproximação aos níveis de desenvolvimento da Europa.

«Estou animado na possibilidade de termos um bom programa europeu que tenha condições de execução, que seja bem suportado, ao nível quer da Comissão Europeia, quer do Conselho Europeu, e que seja realista e que permita responder às necessidades da economia portuguesa», reforçou.

Já Sigmar Gabriel, parceiro de coligação da CDU da chanceler Angela Merkel, reconheceu o «caminho difícil percorrido por Portugal nos últimos tempos», observando que os problemas do desemprego e da dívida pública não estão ainda resolvidos.

O líder do partido social-democrata alemão disse acreditar que a solução passa por mais investimento, razão pela qual Portugal deve aproveitar da melhor forma o chamado «plano Juncker» de investimento, através do qual Bruxelas espera impulsionar o crescimento económico na Europa.

Sigmar Gabriel considerou «dramático» que o desemprego jovem leve tantos portugueses altamente qualificados a emigrar, pois o país perde o investimento que fez na sua formação, e comentou que para países com a Alemanha é muito bom obter mão de obra tão qualificada, mas reconheceu que «esse não pode ser o sentido de um verdadeiro europeísmo e solidariedade mútua», cita a Lusa.