"Só um acordo serve o euro e Portugal". Em letras garrafais, o título do artigo que António Costa escreveu esta segunda-feira na edição digital do jornal oficial do PS mostra a "legítima preocupação" do dirigente socialista em relação à crise grega e suas repercussões, numa altura em que já foi aplicado o controlo e capitais na Grécia, com bancos e bolsa fechados e levantamentos de dinheiro limitados.

O secretário-geral do PS defende que o referendo convocado pelo Governo Syriza de Alexis Tsipras deve ser "respeitado" e que cabe ao povo grego decidir.

"Não é a primeira vez que um Estado-membro recorre ao referendo para decidir questões com a UE e devemos respeitar essa decisão, como sempre respeitámos nos outros Estados-membros. É o povo grego que deve decidir e compete-nos a nós respeitar esse debate que nesta fase lhe pertence. Nunca esquecendo, porém, que não há divergências políticas que possam ignorar a solidariedade devida ao povo grego"


Venha o que vier, António Costa defende que deve ficar garantida a integridade da zona euro, bem como o financiamento das economias e a criação de condições para o crescimento e emprego. 

"O insucesso das negociações entre o governo grego e os parceiros europeus não é uma boa notícia para a União Europeia. E suscita legítima preocupação a quem tem uma postura responsável perante os riscos que comporta para a confiança no euro", advoga.

A chanceler alemã Angela Merkel também reconheceu hoje que "se o euro falha, a Europa falha"

Costa, por sua vez, defende que é "urgente substituir o confronto entre posições radicais por uma negociação construtiva" e critica a falta de "empenho" do Governo português num acordo que ajude a Grécia ( tal como já tinha feito hoje o PS), um país que é um "trágico" exemplo do "insucesso da austeridade" e o que mais sofreu entre todos aqueles que a crise atacou em força.