O vice-presidente do CDS-PP, Nuno Melo, considera "inqualificável" que o primeiro-ministro continue "calado" sobre o caso da associação Raríssimas, que já provocou a demissão de um secretário de Estado e está a pôr "em causa" o ministro Vieira da Silva.

Lamento dizer que Portugal tem um primeiro-ministro absolutamente insensível e impreparado para a função", afirmou Nuno Melo à agência Lusa, em declarações a partir de Estrasburgo.

O eurodeputado e ‘vice’ dos centristas considerou que é "inqualificável" que António Costa ainda não tenha falado sobre a questão da associação Raríssimas, que provocou a demissão do secretário de Estado da Saúde e está a pôr "em causa" o ministro da Segurança Social, Vieira da Silva. Critica também António Costa, por "dar sinal de vida para dizer que 2017 foi um ano particularmente saboroso, ignorando mais de 110 mortos em incêndios que foram trágicos".

Para o vice-presidente do CDS-PP, o comportamento do líder do executivo "confirma uma rotina": "Não é normal que cada vez que há uma crise no Governo o primeiro-ministro esteja no estrangeiro".

Não é normal que já se tenha demitido um secretário de Estado, esteja em causa um ministro e o primeiro-ministro se mantenha calado e ainda não tenha falado ao país sobre isto. Qualquer chefe de Governo faz declarações relevantes de qualquer parte do mundo quando tem de ser", disse.

Portugal, pelo contrário, Portugal “tem um chefe de Governo que escolhe qualquer parte do mundo para estar calado", disse.

PSD insiste em ouvir Vieira da Silva

Por seu lado, o PSD exigiu que o ministro Vieira da Silva dê explicações no parlamento sobre o caso Raríssimas até sexta-feira, considerando que o Governo “não pode ir de fim de semana” sob “este manto de suspeição”.

“O Governo não deve ir de fim de semana deixando este manto de suspeição avolumar-se”, defendeu o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que já pediu ao presidente da Comissão de Trabalho que a audição do ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, aprovada na quarta-feira, seja marcada “com caráter de urgência” ainda para esta semana.

Para o PSD, é “a dignidade das instituições e do próprio Governo” que exige que o ministro Vieira da Silva possa “tão rápido quanto possível” prestar esclarecimentos ao parlamento.

A situação que envolve uma instituição com um trabalho absolutamente meritório criou uma onda geral de indignação que não pode perpetuar-se sob pena de alastrar a todo o setor social”, alertou.

Questionado se pode estar em causa a continuidade de Vieira da Silva no Governo, o líder parlamentar do PSD sublinhou que o partido “nunca pediu a demissão de ministros”, considerando que a competência da escolha e manutenção dos membros do executivo compete ao primeiro-ministro, António Costa.

A reportagem emitida pela TVI no sábado denunciou o alegado uso, pela presidente, de dinheiro da associação de ajuda a pessoas com doenças raras, a Raríssimas, para fins pessoais.

Na reportagem era também adiantado que o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, foi contratado entre 2013 e 2014 pela associação Raríssimas, com um vencimento de três mil euros por mês, tendo recebido um total de 63 mil euros.

Paula Brito e Costa e Manuel Delgado anunciaram na terça-feira que se demitiam dos respetivos cargos.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, demitiu-se na terça-feira do Governo, sendo substituído por Rosa Matos Zorrinho, na sequência de uma reportagem transmitida no sábado pela TVI sobre alegadas irregularidades na gestão da Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, financiada por subsídios do Estado e donativos.

Manuel Delgado foi consultor remunerado da Raríssimas, contratado entre 2013 e 2014, com um vencimento de três mil euros por mês.

O ministro da Segurança Social, que pertenceu à Assembleia-geral da Raríssimas entre 2013 e 2015, anunciou uma ação de inspeção à associação e negou ter tido conhecimento de denúncias de gestão danosa.