O candidato único a secretário-geral do PS, António Costa, disse esta sexta-feira em Coimbra recusar o conceito de «arco da governação» como critério de exclusão das esquerdas à esquerda do PS.

«Recusamos o conceito de ‘arco da governação’ como critério de exclusão das esquerdas à esquerda do PS, das suas responsabilidades de também contribuírem no governo ou no parlamento», referiu, congratulando-se ainda com a «emergência de novos movimentos políticos que procuram quebrar o sectarismo anti-PS que tem bloqueado um diálogo útil na esquerda portuguesa».

António Costa disse entender a maioria absoluta como «necessária», embora considerando que essa não é condição suficiente, porque Portugal «precisa também de compromissos políticos e acordos de concertação social alargados».

«Seremos uma maioria plural, aberta e promotora do diálogo político e social», frisou durante a apresentação da moção de orientação política, ao final da tarde de hoje, na Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, que irá levar ao Congresso Nacional do PS.

Apesar da necessidade de compromissos, o candidato à liderança socialista salientou que, por pretender construir uma alternativa à política do atual governo, «não é possível» construir essa mesma alternativa "com quem pretende prosseguir a mesma política".

A nível da política interna, António Costa avançou que irá propor, no Congresso Nacional do PS, a 29 e 30 de novembro, alterações estatutárias para reforçar «a participação democrática» no partido.

Entre essas propostas está «a consagração da possibilidade de realização de eleições primárias como solução permanente na escolha do secretário-geral ou para designação de candidatos a cargos políticos» e que os mandatos eletivos voltem a ter a duração de dois anos.

António Costa disse ainda que o candidato do PS às próximas eleições presidenciais terá de ser alguém da área política socialista «que honre, renove e atualize a herança notável de Mário Soares e Jorge Sampaio».

Antes do discurso de António Costa, Maria Manuel Leitão Marques, a coordenadora da Agenda para a Década, fez a apresentação do documento.

Presente na apresentação da moção esteve também o presidente da Câmara de Coimbra e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado, que surgiu no início da sessão junto de António Costa, depois de nas primárias do partido ter apoiado António José Seguro.

Maria de Belém, Ferro Rodrigues, Álvaro Beleza, Almeida Santos, António Campos, Rui Alarcão, Carlos César, Teresa Portugal e Romero Magalhães foram alguns dos participantes no evento.