A direção do PS inclina-se para a marcação do congresso nacional para depois das eleições presidenciais e a principal questão hoje em discussão relaciona-se com a estratégia dos socialistas face ao Governo, PCP e Bloco de Esquerda.

De acordo com fontes socialistas, estas duas questões foram objeto de discussão "detalhada" nas reuniões que o secretário-geral do PS, António Costa, teve ao longo desta tarde com os presidentes das federações e também com os futuros membros do Grupo Parlamentar do PS.

Presidentes de várias federações socialistas disseram à agência Lusa que a inclinação maioritária é para que o congresso do PS, antecedido de eleições diretas para o cargo de secretário-geral, se realize após as eleições presidenciais, ou seja, a partir de fevereiro de 2016.

Já na reunião com os deputados do PS, que antecedeu a da Comissão Política desta noite, vários deputados defenderam a tese de que os socialistas devem tentar dialogar com as forças à sua esquerda, PCP e Bloco de Esquerda, sobre uma eventual solução de Governo alternativa à da coligação PSD/CDS.

Esse entendimento, porém, é por quase todos encarado como sendo de difícil concretização, principalmente face às divergências entre o PS com o PCP e Bloco de Esquerda em matérias como a União Europeia e a NATO.

Outros deputados do PS entendem que o partido deve assumir-se como oposição "construtiva" e que compete à coligação PSD/CDS formar Governo.

Esta linha estratégica, de resto, foi defendida hoje pelo eurodeputado socialista Francisco Assis em declarações à agência Lusa.

"Um grande partido como o PS não pode, em nenhuma circunstância, colocar-se numa situação de fragilidade perante as chantagens e as ameaças de outras forças partidárias à sua esquerda ou à sua direita. Nesta perspetiva, entendo que o PS deve assumir com clareza a liderança da oposição ao governo de direita, sem que isso signifique uma indisponibilidade de princípio para a viabilização dos instrumentos imprescindíveis à governação do país", advogou o cabeça de lista dos socialistas às eleições europeias de 2014.


PS deve conduzir “negociação séria” com BE e PCP

O socialista João Soares defendeu que o PS deve conduzir uma "negociação séria" com BE e PCP para obter uma "maioria absoluta de esquerda" que permita ao país ter um governo "estável" durante quatro anos.

"O PS deve comprometer-se seriamente na obtenção de uma maioria absoluta de esquerda que permita ao país ter um governo estável durante quatro anos, dispondo de uma maioria parlamentar absoluta", vincou Soares à entrada para a sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, onde esta noite decorre uma reunião da Comissão Política do partido.

Para o antigo presidente da Câmara de Lisboa tal maioria de esquerda apenas sucederá com uma "negociação séria" entre os socialistas e BE e PCP.

Vera Jardim afasta diálogo PS com Bloco e PCP

Já o antigo ministro socialista Vera Jardim recusou hoje o diálogo com o PCP e o Bloco de Esquerda para uma eventual formação do Governo, defendendo antes a viabilização de um executivo PSD/CDS com base num "compromisso".

Vera Jardim falava à entrada para a Comissão Política Nacional do PS, contrariando com esta sua posição uma das teses internas, segundo a qual os socialistas devem dialogar com o Bloco de Esquerda e com o PCP para equacionar uma eventual solução de Governo.

"Vejo o diálogo com a coligação PSD/CDS. Com a esquerda não vejo capacidade nenhuma de diálogo", declarou o antigo ministro da Justiça.


Mas Vera Jardim também fez advertências às forças do atual Governo, vincando que estão agora em situação de maioria relativa no parlamento.

"Espero que o PSD e o CDS, por estes dias, tenham feito uma aprendizagem no sentido do compromisso necessário", declarou.

PS não pode andar para trás

O dirigente socialista Álvaro Beleza reiterou hoje, à entrada para a reunião da Comissão Política Nacional do partido, a defesa de primárias para escolha do secretário-geral, advogando que o partido "não pode andar para trás".

"Sempre defendi que a escolha do candidato a primeiro-ministro, e o secretário-geral do PS é sempre um candidato a primeiro-ministro, deve ser por eleições primárias e o partido não pode andar para trás e fechar-se aos portugueses. Temos de projetar o PS para o futuro e não para o passado"


E prosseguiu: "Entrei no PS faz hoje 30 anos, a seguir à maior derrota eleitoral do PS. Confesso que não pensava, passados estes 30 anos, estar aqui a discutir e a debater as razões de uma derrota. Queremos saber qual a estratégia para a vitória nas eleições presidenciais, que é uma questão fundamental".