O dirigente socialista António Costa afirmou este domingo que o PS não pode ser «um partido bloqueado» e que tudo aquilo que não se resolveu em Comissão Nacional será decidido após as eleições primárias.

António Costa falava aos jornalistas no final da Comissão Nacional do PS, órgão que recusou a votação do seu requerimento para a realização de um congresso extraordinário e de eleições primárias para o cargo de secretário-geral, alegando contrariar os estatutos do partido.

«Aquilo que não se resolver agora vai com certeza resolver-se a seguir às eleições primárias. O PS não pode ser um partido bloqueado e, mais tarde ou mais cedo, os militantes vão poder voltar a exercer a sua voz e fazer as escolhas que democraticamente devem fazer», declarou o presidente da Câmara de Lisboa.

De acordo com António Costa, há já um consenso no sentido de que a clarificação interna se faça o mais cedo possível. «O processo das primárias tem de decorrer com toda a isenção para prestigiar o PS. Nesse sentido, propus uma comissão organizadora presidida [pelo ex-ministro] Jorge Coelho e com um órgão de fiscalização liderada [pelo ex-comissário europeu] António Vitorino», referiu.

O presidente da Câmara de Lisboa defendeu então que o processo «deve estar acima de qualquer dúvida ou de suspeita».

«Acho que cada dia conta e penso que as pessoas entendem que o congresso [extraordinário] poderia realizar-se em julho, como os estatutos permitem, e as primárias mais tarde. Mas, por mim, não faço questão nem de datas, nem de normas, nem sobre o como» em termos de processo, frisou o autarca da capital.

Interrogado sobre o motivo que o levou a escolher os ex-ministros Jorge Coelho e António Vitorino para liderar o processo de controlo interno das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa disse que «são duas pessoas que merecem a credibilidade e o apoio de todos» os elementos do PS.

«Temos de ter um processo que esteja acima de qualquer dúvida em termos de democraticidade e de autenticidade. Agora, vamos para a frente devolvendo a palavra aos socialistas», acrescentou.