O líder do PS acusou o Governo de falta de "coragem" para assumir "preto no branco" o que quer fazer em relação à Segurança Social e que a sua sustentabilidade passa pela aposta na economia e por mais emprego.

Em Braga, a discursar no final de umas jornadas dedicadas à promoção do emprego, António Costa afirmou que a ministra das Finanças quando afirmou serem necessários cortes definitivos nas pensões falou com "sinceridade" sobre a intenção do programa de Governo da coligação PSD/CDS-PP.

O secretário-geral socialista garantiu ainda que o que o PS promete no seu programa de Governo "é mesmo" o que o partido quer fazer e que não tem "nada na manga nem escondido".

"Depois de terem passado uma semana numa tentativa bastante atabalhoada a explicar aquilo que não precisava de nenhuma explicação porque era claríssimo, ao fim de uma semana o que vêm dizer é que desistiram de pôr no programa de Governo deles a solução para a Segurança Social porque não têm coragem de escrever preto no branco aquilo que realmente querem fazer na Segurança Social", acusou António Costa que respondia assim a declarações do líder do PSD em Bragança.

Pedro Passos Coelho disse que o programa eleitoral da coligação não deverá conter uma solução "muito definida" para as pensões para não comprometer um futuro entendimento com o PS sobre a reforma da Segurança Social.

Para António Costa, Maria Luís Albuquerque foi a única que revelou a intenção do atual Governo.

"Ela foi mesmo a única que falou com sinceridade sobre o verdadeiro programa da coligação de direita", apontou, depois de a ministra das Finanças ter posto a hipótese de avançar com cortes definitivos nas pensões o que foi, mais tarde, explicado como sendo uma "gafe", contextualizou Costa.

Segundo o líder do PS, o Governo "procura fazer algo terrível" à sociedade portuguesa ao "olhar para a questão da sustentabilidade da Segurança Social como sendo uma guerra entre gerações" porque, disse, dividir a sociedade portuguesa em gerações é "dividir as famílias".

"Eu não aceito, nenhum de nós pode aceitar, ser colocado na situação de escolher entre o futuro dos meus filhos e o presente da minha mãe", explicou.

Já sobre o programa de Governo do PS, o secretário-geral socialista garantiu que é transparente.

"Quando na próxima semana nos reunirmos em convenção nacional e aprovarmos um programa do Governo esse é um programa do Governo que os portugueses conhecem e é mesmo o que queremos fazer e não teremos nada na manga nem escondido", assegurou.