O secretário-geral do PS acusou esta sexta-feira o Governo de revelar «inconsciência» face à dimensão do fenómeno da emigração ao propor um programa de alcance mínimo e de ter seguido uma política que «devastou» a classe média.

António Costa falava aos jornalistas após ter visitado a Inovagaia, uma incubadora de empresas, e uma creche na freguesia do Canidelo, em Gaia, numa deslocação em que esteve sempre acompanhado pelo presidente da Câmara deste município, Eduardo Vítor Rodrigues, e pelo líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues.

Questionado sobre como encara o programa de apoio ao regresso de emigrantes aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros, o líder socialista criticou o seu alcance face à dimensão do fenómeno.

«Nos últimos anos, o país terá perdido cerca de 300 mil pessoas, dos quais cerca de 110 mil jovens (alguns deles extremamente qualificados), regressando aos níveis de perda de capital humano da década de 60. Aquilo que o Governo apresentou na quinta-feira, com a criação de 40 a 50 projetos para as pessoas poderem regressar, é não ter mesmo consciência do que aconteceu no país nestes últimos três anos», acusou.

Sobre a possibilidade de os projetos do Governo ainda poderem subir de 40 ou 50 para os cem, António Costa frisou que o universo de novos emigrantes atinge os 300 mil.

«Isto não é um programa, mas algo que não dignifica a consciência que os agentes políticos têm de possuir face a realidades sociais que enfrentam», respondeu.

Perante os jornalistas, António Costa defendeu depois que as Jornadas Parlamentares do PS, que terminam no sábado, estão centradas na realidade económica e social do país, acrescentando que as visitas que efetuou ao longo da manhã hoje, quer a uma incubadora de empresas, quer uma creche, permitiram comprovar que uma autarquia de Gaia, que «herdou uma situação financeira calamitosa, mesmo assim não deixou de fazer os investimentos essenciais».

Apontando a Câmara socialista de Gaia como um exemplo de intervenção ao nível económico e social, o secretário-geral do PS disse que este município da Área Metropolitana do Porto «apoia a formação de empresas, que são essenciais para a criação de emprego, mas também responde no plano social».

De acordo com António Costa, equipamentos sociais como a creche que visitara na freguesia do Canidelo «são extremamente importantes para dar reposta a uma classe média que tem sido devastada pela quebra de rendimentos, pelo desemprego, pela asfixia que a banca tem feito relativamente aos contratos e pela enorme pressão que constituiu a liberalização do mercado de arrendamento».

«Apesar deste contexto, a maioria governamental tem sido absolutamente insensível quer no que toca a respostas sociais efetivas, quer na promoção do emprego. Esta maioria PSD/CDS revelou ainda a sua insensibilidade ao chumbar medidas do PS, como as propostas para permitir a suspensão das penhoras por dívidas fiscais ou à Segurança Social ou para manter a cláusula de salvaguarda no aumento do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis)», sustentou.

António Costa criticou ainda a redução global de apoios destinados ao combate à pobreza, como ao nível do rendimento social de inserção.

«Infelizmente, as condições [estabelecidas pelo Governo] privaram muitas famílias desse apoio mínimo social fundamental para manter a dignidade social. Há um combate fundamental a fazer pela dignidade no país e de resposta a esta situação económica e social», acrescentou.