O candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, diz ter boas indicações sobre o acordo alcançado no Conselho Europeu por Portugal no domínio do mercado da energia, mas criticou a estratégia energética nacional do atual executivo.

António Costa falava em conferência de imprensa, no final de uma conferência promovida pelo Grupo Socialista Europeu no Comité das Regiões, tendo ao seu lado o presidente desta comissão, o germânico Karl Heinz Lambert, e a eurodeputada do PS Maria João Rodrigues.

António Costa defende reestruturação da dívida a nível europeu

Hoje, de madrugada, Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos em Bruxelas, chegaram a acordo sobre o pacote energético e climático até ao horizonte de 2030, prevendo metas vinculativas de redução das emissões de gases com efeito de estufa de 40% em relação ao nível de 1990 e de pelo menos 27% de incorporação de energias renováveis, até 2030.

O compromisso alcançado contempla ainda o objetivo indicativo de aumentar igualmente em pelo menos 27% a eficiência energética e 15% para as interconexões, com vista à criação de um verdadeiro mercado de energia na União Europeia, objetivo este que era defendido por Portugal, representado no Conselho Europeu pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

António Costa afirmou que as indicações que recebeu «são boas no que diz respeito à interligação das redes - e isso é uma grande oportunidade para Portugal não só poder reduzir o custo da sua energia, mas, também, poder equilibrar as suas contas externas».

«Portugal tem condições para ser um país exportador de energia e não só um país de trânsito da energia importada da Argélia, como alternativa à energia criticamente importada da Rússia. Também convém recordar que podemos ser um país exportador de energia, porque contra a política defendida pelo atual Governo houve um investimento sério e uma aposta nas energias renováveis. E essa é uma grande oportunidade», sustentou o presidente da Câmara de Lisboa.

Mas António Costa foi ainda mais longe nas críticas ao atual Governo em matéria de política energética.

«A oportunidade que Portugal tem hoje de poder valorizar o investimento que fez nas barragens que construiu, no investimento que pode fazer na energia eólica e na produção descentralizada de energia solar, mostra bem, aliás, o erro que constitui a forma como está a ser desenhado o próximo Quadro Comunitário de Apoio em Portugal, que desaproveita as verbas existentes na União Europeia para poder investir nas energias renováveis, na mobilidade elétrica e também na melhor eficiência energética dos edifícios», disse.